O desastre natural do Rio Grande do Sul e a afetação da população; quais são as consequências para à saúde mental?

Com a ocorrência de um desastre, toda uma dinâmica se altera, resultando em desorganização nas estruturas sociais, com pessoas partindo, perda de bens e até de animais.

Neide Lu, jornalista, e a psicóloga clínica TCC Maria de Lourdes.

No Fala Você Notícias desta quarta-feira (15), tivemos o prazer de receber a psicóloga clínica Maria de Lourdes, que trouxe uma reflexão profunda sobre o impacto na saúde mental das vítimas de desastres naturais, especialmente em relação ao recente evento ocorrido no Rio Grande do Sul. Essa discussão é fundamental para compreender não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais e psicológicos das comunidades afetadas por essas tragédias.

A psicóloga Maria de Lourdes iniciou o bate-papo informando que, quando ocorre um desastre, toda uma dinâmica se altera, resultando em desorganização nas estruturas sociais, com pessoas partindo, perda de bens e até de animais. Ela complementa que, diante dessas catástrofes, estudiosos do Brasil e também de outros países, como a ONU (Organização das Nações Unidas), identificaram três caminhos para os indivíduos afetados por desastres naturais. O primeiro envolve pessoas que apresentarão sintomas transitórios: “Durante esse período, elas passarão por um impacto emocional, que tende a diminuir com o tempo, pois ainda estamos no centro, no epicentro. Estamos lidando com uma situação diferente de outras catástrofes, como o evento na Boate Kiss, onde houve afetados imediatos. Na Barragem de Brumadinho, por exemplo, houve um deslizamento e as pessoas foram afetadas naquele momento. Nesse caso, o desastre começou com uma grande chuva, diminuiu, aumentou novamente e ainda persiste essa instabilidade.”

Lourdes ainda menciona que, após o desastre, quando as pessoas começam a reconstruir suas vidas, surgem três categorias de reação: as pessoas que ressignificarão a dor, lidando com os sintomas transitórios e enfrentando o dia a dia com resiliência; as que serão afetadas emocionalmente, com consequências pós-desastres, geralmente pessoas que já tinham diagnósticos ou transtornos prévios; e a terceira categoria, que terá um desfecho positivo relacionado à resiliência, utilizando as consequências do desastre como aprendizado para olhar a vida de forma diferente.

Neide Lu e a psicóloga clínica Maria de Lourdes.

Lourdes explica que o impacto na saúde mental das crianças é maior, pois são mais suscetíveis ao sofrimento relacionado a doenças, possuem menos recursos psicológicos e estão em processo de desenvolvimento cognitivo. Portanto, as crianças têm dificuldade em entender o que está acontecendo e em elaborar emoções da mesma forma que os adultos. “É muito importante que os pais, mesmo fragilizados e afetados pela situação, acolham e validem as emoções que as crianças enfrentam, pois tudo mudou para elas: a rotina, os brinquedos, os locais de brincadeira. Muitas vezes, estão em abrigos onde não têm suas coisas. Então, ao falar de doações, não é apenas água, comida ou roupas, mas também brinquedos e outras necessidades que as pessoas deixaram de ter,” destaca. Por outro lado, Lourdes alerta para a importância de realizar doações conscientes, não esvaziando os armários mandando qualquer coisa. Além dos brinquedos, ela menciona a importância de doar lápis de cor e papel para as crianças desenharem.

Segundo a psicóloga, os pais devem ficar atentos ao comportamento das crianças após o desastre, pois algumas podem apresentar comportamentos disfuncionais que indicam questões traumáticas e sofrimento emocional.

Ela também esclarece que, devido à incapacidade de muitos parentes de salvar os entes queridos, há um sentimento de culpa que agrava a saúde mental. “Vi uma reportagem de um casal que estava na casa da irmã quando começou a chuva. Decidiram voltar para casa e receberam a notícia de que toda a família havia morrido soterrada abraçada. Eles se culpavam por não terem convidado a família ou retirando-os da área de risco. São questionamentos que não têm resposta, mas que precisam ser tratados com escuta qualificada para ajudar os familiares.”

Por fim, Lourdes destaca que o papel da psicologia diante dos desastres é realizar o PSP, que significa Primeiros Socorros na Psicologia. Isso envolve adotar comportamentos para auxiliar os afetados e, posteriormente, atuar com intervenções psicológicas eficazes em relação aos traumas. Para isso, são necessárias estratégias de psicoeducação e cuidado. Ela ressalta que, na maioria das vezes, a pessoa afetada não quer falar sobre o desastre imediatamente, mas deseja se informar. Nesse momento, os profissionais de saúde mental realizam ações emergenciais, como procurar parentes de vítimas ou oferecer um brinquedo para uma criança, entre outras ações.

Assista o bate-papo completo com a psicóloga clínica Maria de Lourdes e se informe sobre a afetação psicológica de quem acompanha o tempo todo nas mídias; cuidados para a não afetação nos idosos e crianças; como agir diante das pessoas afetadas e muito mais, clique abaixo:

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar