No bate-papo do Fala Você Notícias desta quarta-feira (5), a jornalista Neide Lu entrevistou Sinézio Guimarães, representante do comando de greve local do IF Guanambi, Marinalva Oliveira, secretária da SINASEFE, e Joilma Santos, servidora sindicalizada. Eles discutiram a greve por tempo indeterminado dos servidores do IF Baiano, abordando as principais reivindicações e impactos do movimento.
Importância da greve como direito constitucional
Joilma destacou a importância de lembrar sobre a constitucionalidade da greve, afirmando que se trata de um direito do trabalhador. Ela reforçou que todos aqueles que vendem sua força de trabalho têm o direito garantido à greve. Além disso, lembrou que a greve ocorre quando os servidores não são ouvidos e têm seus direitos usurpados. Joilma completou dizendo que a greve é o último recurso, a última ferramenta disponível para os trabalhadores.
Desinteresse do governo e propostas inadequadas
Joilma pontuou que, diante do desinteresse em ouvir e atender às propostas dos professores do IF Baiano, os servidores começam a receber propostas que não atendem às suas necessidades e discursos que não são plausíveis para as reivindicações da categoria.
Histórico das greves e mobilização
Ela citou que a Fasubra, sindicato dos técnicos administrativos das universidades, deflagrou greve em 13 de março, considerando a gravidade da situação. Em 3 de abril, o sindicato SINASEFE realizou uma consulta e deflagrou greve. No dia 15 de abril, o ANDES, sindicato dos professores das universidades, também entrou em greve: “Vamos pegar um recorte de abril, como disse o SINASEFE. Em 3 de abril, entrou a primeira seção do IF Baiano. Em 8 de abril, 15 de abril, 22 de abril e 23 de abril, as últimas três seções entraram, incluindo Guanambi. Consideramos a situação do calendário, pois sabemos dos comentários e compreendemos. A instituição é nossa e também nos preocupamos. Em 8 de maio, as outras duas seções aderiram à greve. Fizemos a primeira assembleia e a greve não foi aprovada localmente. Discutimos a greve porque é preciso conhecer a pauta e saber por que estamos fazendo isso. Em 3 de junho, a greve foi deflagrada com maioria, com a participação de todos os servidores, inclusive professores contratados. Temos uma pauta nacional, discutimos pautas locais, mas nossa pauta também é nacional. O que quero dizer com esse histórico é que Guanambi não decidiu deflagrar greve de um dia para o outro; foi uma construção, pois temos responsabilidade com este campus. A comunidade nos conhece e sabe do nosso compromisso, não só comigo, que sou praticamente recém-chegada, mas com professores e técnicos administrativos que construíram a história, transformando a agrotécnica em instituto. Então vocês nos conhecem e sabem do nosso compromisso com esta comunidade, não apenas com Guanambi, mas com todo o território”, concluiu.
As quatro principais reivindicações
De acordo com Sinézio, a pauta dos servidores é chamada de pauta dos quatro R. O primeiro R é de reestruturação das carreiras de técnicos administrativos e docentes. Ele explicou que essa reestruturação é urgente, pois o plano de carreira dos técnicos administrativos da educação já tem mais de 20 anos. A categoria possui um plano de carreira com cargos e funções que não existem mais e novas funções que são necessárias e precisam dessa reestruturação. O segundo R é a recomposição salarial. No último movimento entre 2015 e 2016, houve para a carreira dos docentes um acordo de até quatro anos, ou seja, até 2019, quando a categoria recebeu reajuste. “Os colegas técnicos administrativos fizeram um acordo representado por dois sindicatos, tanto o SINASEFE quanto a FASUBRA, assinando um acordo naquele momento, compreendendo o que era melhor, só de dois anos”, citou Sinézio. Ele complementou que tiveram um reajuste no ano passado, que não cobriu as perdas no intervalo entre seis e oito anos sem reajuste e que estavam próximas das perdas inflacionárias. O terceiro R refere-se à regulamentação de leis que desfavorecem o trabalho dos professores, principalmente no que diz respeito ao direito de greve e ao direito de o professor trabalhar mais próximo de sua residência. Por fim, o quarto R está relacionado à recomposição do orçamento. Para embasar essa pauta, Sinézio trouxe um dado que mostra que em 2014 a rede federal recebia um investimento de 5,6 bilhões de reais para financiamento de pesquisas, laboratórios e uma educação de ponta, que se propunha a realizar com extrema qualidade.
Negociações com o governo federal
Sinézio informou que a categoria busca uma negociação com o governo federal desde agosto de 2023 e que, no final de 2023, apresentaram uma proposta inicial considerando todo o histórico relatado. Para a categoria dos técnicos administrativos em educação, propuseram no final de 2023 um reajuste escalonado em 2024, 2025 e 2026, da ordem de 10,34% em cada ano. Para a categoria dos docentes, o sindicato fez uma proposta ao governo de três vezes 7%, totalizando entre 21% e 22%, e pouco mais de 30% para os técnicos, dividido em três anos. Sinézio disse que o governo demorou muito para dar uma resposta, que só veio em abril e que a proposta do governo foi considerada indecente. Eles solicitavam uma equiparação entre poderes, em relação aos servidores do Judiciário e Legislativo no que tange aos auxílios para os professores. Não conseguiram essa equiparação, mas obtiveram um reajuste que consideram fruto da luta e organização dos professores, saindo de R$ 600 para R$ 1.000. Contudo, há outras pautas a serem discutidas. Em uma outra mesa de negociação, em 15 de maio, permaneceram sem reajuste (0%). Não houve nenhum reajuste para o servidor aposentado. Na segunda proposta do governo, em maio, foi novamente oferecido 0% para 2024. A outra contraproposta foi 0% mais uma vez em 2024, 9% de reajuste em 2025 e 3,5% em 2026.
Propostas atuais dos professores do IF Baiano
Atualmente, os professores do IF Baiano têm duas propostas para o governo. Nesta negociação, eles propuseram 3,5% em 2024, 9% em 2025 e 3,5% em 2026. Para os técnicos administrativos, propuseram 4% em 2024, 9% em 2025 e 9% em 2026.
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