ONU Mulheres apresenta 10 propostas para proteção e participação das mulheres nas eleições

Documento dirigido a candidatos, partidos e instituições reúne medidas sobre participação política, combate à violência, renda, trabalho e justiça climática.

Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil.

A ONU Mulheres apresentou, às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, o documento “10 Propostas pela Vida das Mulheres”, destinado a candidatas, candidatos, partidos políticos, instituições públicas e à sociedade. A iniciativa reúne sugestões para ampliar a participação feminina e fortalecer políticas de proteção e igualdade.

Entre os temas estão a paridade nos espaços de poder, o enfrentamento à violência política de gênero e raça, o combate à violência contra as mulheres, políticas de cuidado e renda e a participação feminina nas decisões relacionadas ao clima. A organização afirma que as propostas buscam contribuir para o debate público durante o período eleitoral.

As dez propostas apresentadas são:

- Estabelecer a paridade como meta, com prazos e objetivos numéricos para ampliar a presença de mulheres em cargos eletivos, de nomeação, lideranças legislativas e direções partidárias.

- Garantir o cumprimento das cotas eleitorais.

- Aplicar efetivamente a Lei nº 14.192/2021, inclusive no ambiente digital, no enfrentamento à violência política contra as mulheres.

- Criar metas e orçamento para prevenir e combater a violência contra as mulheres, com serviços especializados, medidas protetivas e respostas rápidas.

- Enfrentar o machismo como questão pública, com ações permanentes para combater padrões que naturalizam a violência e restringem direitos.

- Valorizar as trabalhadoras do cuidado, assegurando formação, contratação formal, remuneração adequada e proteção social.

- Ampliar a igualdade no trabalho, com salário igual, formalização e proteção social para as mulheres.

- Garantir acesso das mulheres ao financiamento climático, especialmente para aquelas que atuam na proteção dos territórios.

- Ampliar a participação das mulheres na governança climática, com atenção especial a indígenas, negras, quilombolas e integrantes de povos e comunidades tradicionais.

- Considerar gênero e raça nas políticas climáticas, avaliando quem é beneficiado e quem permanece excluído das ações.

Segundo a ONU Mulheres, as propostas foram formuladas com medidas concretas e podem ser assumidas por candidaturas e partidos. A entidade também ressalta que não apoia candidaturas ou partidos, e que o documento integra sua atuação pela participação política feminina e pelo enfrentamento à violência política de gênero e raça nas eleições de 2026.

O documento também apresenta dados sobre a representação feminina na política brasileira. Segundo a ONU Mulheres, as mulheres representam 52,8% do eleitorado, mas ocupam 17,2% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 18,5% do Senado.

As propostas colocam em debate medidas relacionadas à representação política, proteção contra a violência, autonomia econômica, políticas de cuidado e participação feminina nas decisões ambientais e climáticas.

Fonte: ONU Mulheres / Nações Unidas no Brasil / agência Brasil

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