Nenhum dos 5.570 municípios brasileiros alcançou condições consideradas plenas para que mulheres tenham qualidade de vida, segundo o Índice Municipal de Gênero (IMG) 2026. O levantamento, desenvolvido por uma consultoria socioambiental, reúne indicadores relacionados à autonomia econômica, física e política feminina.
O estudo utiliza dados públicos de fontes como o Censo 2022 e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) para avaliar sete dimensões: saúde, educação, trabalho e renda, participação política, segurança, proteção social, além de infraestrutura e mobilidade. Ao todo, são 17 indicadores, com pontuação de 0 a 100.
A média nacional do IMG ficou em 50,60 pontos. Segundo a metodologia do levantamento, nenhum município ultrapassou 70 pontos, faixa considerada de desempenho alto ou muito alto. Cerca de nove em cada dez cidades estão concentradas entre 40 e 60 pontos.
Entre os principais desafios identificados estão a participação política e o acesso à saúde. Em 87,18% dos municípios, pelo menos uma das sete dimensões avaliadas apresentou pontuação inferior a 30 pontos.
Na participação política, a média nacional foi de 29,59 pontos. O estudo aponta que 68,70% dos municípios não possuem Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Além disso, 726 cidades não elegeram nenhuma vereadora, enquanto 526 apresentam simultaneamente ausência de conselho e de representação feminina na Câmara Municipal.
Na área da saúde, a média nacional foi de 30,42 pontos. A região Sul apresentou o melhor resultado regional, com 37,29 pontos, enquanto a região Norte registrou 20,51 pontos.
O levantamento também aponta desigualdades relacionadas a fatores raciais e territoriais. Os municípios com pontuações inferiores a 40 pontos estão majoritariamente concentrados na região Norte, onde há significativa presença de populações indígenas e pardas.
Na dimensão de segurança, os dados precisam ser analisados com cautela, segundo os pesquisadores, devido à possibilidade de subnotificação e registros incompletos de crimes. Embora essa área tenha alcançado a maior média do estudo, de 91,88 pontos, 1.480 municípios não registraram casos de feminicídio nos cinco anos analisados. Também foram identificadas cidades sem registros de estupro e violência doméstica.
Os resultados mostram que o desenvolvimento dos municípios não ocorre necessariamente acompanhado de condições equivalentes para as mulheres. O índice busca justamente identificar diferenças territoriais e apontar áreas que demandam atenção em políticas públicas voltadas à garantia de direitos e à melhoria da qualidade de vida feminina.
Fonte: Índice Municipal de Gênero (IMG) 2026 / Tewá 225
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