Roncar durante a noite é comum, mas quando o barulho é intenso e frequente pode ser um sinal de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). A condição provoca interrupções repetidas da respiração, prejudica a qualidade do descanso e pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares.
Nem todo ronco representa uma doença. Gripes, alergias, congestão nasal, consumo de álcool e dormir de barriga para cima podem provocar o sintoma de forma temporária. O alerta aumenta quando o ronco persiste e aparece junto com pausas respiratórias, engasgos, dor de cabeça ao acordar, cansaço ou sonolência excessiva durante o dia.
Durante os episódios de apneia, a respiração é interrompida ou reduzida diversas vezes, provocando queda na oxigenação e maior esforço do sistema cardiovascular. A condição está relacionada a hipertensão, arritmias, doenças cardiovasculares, AVC e alterações metabólicas, como diabetes tipo 2.
A falta de sono reparador também pode causar irritabilidade, dificuldade de concentração e memória, indisposição e aumento do risco de acidentes e quedas. Obesidade, aumento da circunferência do pescoço, tabagismo, consumo de álcool e alterações anatômicas das vias aéreas estão entre os fatores que podem favorecer o problema.
Embora o sono possa sofrer mudanças naturais com a idade, ronco intenso, pausas respiratórias e sonolência excessiva não devem ser considerados normais após os 60 anos. Esses sinais podem indicar um distúrbio tratável.
Outro alerta é sobre o uso de melatonina. O suplemento pode ter indicação em situações específicas relacionadas ao ritmo do sono, mas não trata ronco ou apneia. Por isso, a automedicação não substitui uma investigação médica.
A avaliação profissional é recomendada diante de ronco alto e frequente, interrupções da respiração observadas por familiares, engasgos durante o sono, sonolência diurna, dor de cabeça ao despertar, alterações de memória e concentração, hipertensão de difícil controle ou cansaço mesmo após uma noite inteira na cama.
A investigação permite identificar a causa e definir o tratamento adequado, que pode envolver mudanças de hábitos, perda de peso, dispositivos específicos ou outras estratégias. Identificar a apneia precocemente pode contribuir para melhorar o sono e preservar a saúde e a qualidade de vida.
Fontes: Associação Brasileira do Sono (ABS); Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG); especialista em Medicina do Sono citada na matéria
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