Febre do Nilo Ocidental registra quatro casos no Brasil e uma morte

Doença transmitida por mosquitos pode causar febre, dor de cabeça e, em casos graves, complicações neurológicas.

Foto: Lauren Bishop | CDC | Divulgação.

O Brasil registrou quatro casos de Febre do Nilo Ocidental, com uma morte confirmada em Santa Catarina, segundo informações divulgadas na terça-feira (25). A vítima foi uma mulher de 77 anos, que morreu em Imbituba. Os casos identificados até o momento estão concentrados nos estados de São Paulo e Santa Catarina, enquanto autoridades de saúde investigam possíveis novas ocorrências.

A doença é causada por um vírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas. O Ministério da Saúde informa que a infecção pode variar de quadros assintomáticos a manifestações graves que atingem o sistema nervoso.

Entre os demais casos estão um homem de Caçador (SC), que recebeu alta; uma mulher de Ribeirão Preto (SP), que havia viajado recentemente para a Amazônia e já se recuperou; e uma adolescente de São José do Rio Preto (SP), que permanecia internada. Também existe suspeita de infecção no Piauí, conforme informações atribuídas ao Ministério da Saúde.

As autoridades investigam as circunstâncias e os locais prováveis de infecção dos pacientes. Viagens recentes e a exposição a áreas com circulação do vírus estão entre os fatores considerados nas apurações.

O vírus do Nilo Ocidental circula principalmente entre aves silvestres e mosquitos. Os seres humanos e os equinos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, pois, em geral, não apresentam quantidade suficiente de vírus no sangue para infectar novos mosquitos.

No Brasil, o primeiro caso humano foi registrado em 2014, no Piauí. A doença pode apresentar diferentes níveis de gravidade e os quadros mais severos são mais frequentes entre pessoas de idade avançada.

Quais são os sintomas da Febre do Nilo?

A maior parte das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos infectados desenvolvem manifestações, geralmente leves. Entre os principais sinais estão:

- Febre de início agudo;

- Mal-estar;

- Náuseas e vômitos;

- Dor de cabeça;

- Dor nos olhos;

- Dor muscular;

- Manchas na pele e aumento de gânglios em alguns casos.

Em aproximadamente um a cada 150 infectados, a doença pode evoluir para uma forma neurológica grave, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. A encefalite é uma das manifestações mais frequentes nos casos neurológicos e pode provocar febre, fraqueza, sintomas gastrointestinais e alterações neurológicas.

Diagnóstico pode ser difícil

A identificação da Febre do Nilo Ocidental pode exigir investigação laboratorial, principalmente porque os sintomas iniciais podem se assemelhar aos de outras doenças infecciosas. O diagnóstico pode envolver exames para detecção de anticorpos, além de métodos moleculares em situações específicas.

Por isso, pessoas que apresentem sintomas compatíveis, especialmente após exposição a áreas de risco ou picadas de mosquitos, devem procurar atendimento médico e informar o histórico de viagens e de exposição.

Atualmente, não existe vacina recomendada no Brasil nem tratamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é direcionado aos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico. Nos casos graves, pode ser necessária hospitalização e suporte intensivo.

Entre as principais medidas de prevenção estão o uso de repelentes, telas em portas e janelas e a redução da exposição aos mosquitos, especialmente ao amanhecer e ao entardecer. Também é importante evitar água parada e locais sem saneamento adequado.

A população deve ainda evitar o contato direto com animais mortos e adotar cuidados adicionais em atividades realizadas ao ar livre. Com a confirmação de novos casos, a atenção aos sintomas e às medidas de prevenção continua sendo fundamental para reduzir o risco de infecção.

Fontes: Ministério da Saúde e informações divulgadas sobre os casos registrados em São Paulo e Santa Catarina.

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