O isolamento prolongado dentro de casa, com abandono gradual da escola, do trabalho, dos encontros presenciais e de outras atividades sociais, pode ser um sinal de alerta. Conhecido como hikikomori, o fenômeno atinge principalmente adolescentes e jovens adultos e é caracterizado por uma reclusão intensa e duradoura.
Identificado inicialmente no Japão, o comportamento também é observado em outros países. Em muitos casos, a pessoa reduz cada vez mais o contato presencial e passa a manter sua ligação com o mundo externo quase exclusivamente por meio da internet, jogos e redes sociais.
O que é hikikomori?
Em tradução livre, o termo significa “isolado em casa”. O hikikomori ainda não possui uma classificação própria em manuais diagnósticos como a CID e o DSM-5, podendo, em determinadas situações, estar associado a outros transtornos ou condições psicológicas.
O quadro pode ocorrer de forma primária, quando o isolamento não está ligado diretamente a outro transtorno mental, ou secundária, quando aparece associado a problemas como depressão, ansiedade, fobia social, esquizofrenia ou transtornos do neurodesenvolvimento.
Isolamento costuma surgir gradualmente
O afastamento nem sempre acontece de forma repentina. A perda de interesse por atividades sociais, a recusa em participar de encontros presenciais, mudanças no sono, irritabilidade e o aumento do tempo diante das telas podem estar entre os sinais observados.
Com o passar do tempo, a pessoa pode apresentar dificuldade crescente para retomar a rotina e manter relações fora do ambiente em que se sente protegida. Essa perda gradual da capacidade de convivência social é um dos principais pontos de atenção.
Telas podem estar ligadas ao problema
O uso excessivo da internet e de dispositivos eletrônicos também faz parte da discussão, embora não exista uma relação única de causa e efeito. Em alguns casos, o ambiente virtual pode favorecer comportamentos de dependência e ampliar o afastamento social.
Por outro lado, o excesso de tempo online também pode ser consequência do próprio isolamento, já que a internet passa a representar uma das poucas formas de contato com outras pessoas e com o mundo exterior.
Fatores que podem contribuir
O hikikomori não possui uma causa única. Baixa autoestima, dificuldades de socialização, bullying, traumas na infância e problemas nas relações familiares estão entre os fatores que podem contribuir para o isolamento.
Características relacionadas ao espectro autista e ao TDAH também podem estar presentes em alguns casos. Além disso, pressões relacionadas ao desempenho escolar, profissional e à vida social podem levar o jovem a se afastar como forma de evitar situações consideradas difíceis ou desgastantes.
Tratamento exige acompanhamento individual
A abordagem deve considerar a história e as necessidades de cada pessoa. A psicoterapia, incluindo estratégias da terapia cognitivo-comportamental, pode fazer parte do tratamento e, dependendo dos sintomas e de condições associadas, medicamentos também podem ser indicados por profissionais habilitados.
O apoio da família é considerado importante durante o processo. O acolhimento e a reconstrução gradual dos vínculos podem contribuir para a retomada das atividades e da convivência social, sem aumentar a pressão sobre a pessoa.
Mais do que uma simples preferência por ficar sozinho, o hikikomori chama atenção pela intensidade e duração do isolamento. Quando o jovem abandona atividades, vínculos e compromissos que antes faziam parte de sua rotina, a situação merece atenção e pode exigir avaliação profissional.
Fonte: Texto-base fornecido para edição jornalística, com informações sobre o fenômeno hikikomori e saúde mental
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