Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicada na revista científica Nature, identificou novos alvos imunológicos que poderão contribuir para o desenvolvimento de vacinas mais eficazes contra diferentes tipos de malária. A descoberta representa um avanço na busca por imunizantes capazes de proteger contra as principais espécies do parasita causador da doença.
Os cientistas concentraram os estudos em fragmentos de proteínas compartilhados pelo Plasmodium falciparum e pelo Plasmodium vivax, responsáveis pela maior parte dos casos de malária no mundo. Atualmente, as vacinas disponíveis oferecem proteção principalmente contra o P. falciparum e ainda apresentam eficácia limitada.
O diferencial da pesquisa foi analisar a resposta dos linfócitos T CD8+, células do sistema imunológico responsáveis por identificar e eliminar células infectadas. Os pesquisadores conseguiram mapear fragmentos do parasita capazes de ativar essas células de defesa, ampliando as perspectivas para vacinas com proteção mais abrangente.
Os experimentos foram realizados com células humanas e modelos animais. Os resultados demonstraram que os antígenos identificados estimularam a resposta imunológica tanto na fase inicial da infecção, quando o parasita se instala no fígado, quanto na etapa em que ele circula pela corrente sanguínea e provoca os sintomas da doença.
Segundo os pesquisadores, os alvos imunológicos descobertos podem servir de base para o desenvolvimento de vacinas de nova geração, com potencial para proteger contra diferentes espécies do Plasmodium. Apesar do avanço, a pesquisa ainda está na fase básica, sendo necessários novos estudos e futuros testes clínicos para comprovar a eficácia em humanos.
A malária é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada pelo protozoário Plasmodium. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença continua sendo um dos principais desafios de saúde pública em regiões tropicais. No Brasil, a maior parte dos casos é registrada na Amazônia Legal, onde predomina o Plasmodium vivax. A descoberta da Fiocruz reforça as perspectivas para o desenvolvimento de vacinas mais eficientes e de amplo alcance no combate à enfermidade.
Fonte: Fiocruz / Revista Nature / Organização Mundial da Saúde (OMS) / CFF
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