Especialista alerta para os riscos do PMMA após morte de paciente em procedimento estético

Substância de uso permanente tem indicação médica restrita e pode provocar complicações graves, como embolia, necrose, infecções e reações tardias.

Foto: Bernardo Emanuelle | Shutterstock.

A morte de uma paciente após um procedimento estético com aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato) reacendeu o debate sobre a segurança da substância. Embora autorizada pela Anvisa para indicações médicas específicas, especialistas alertam que seu uso para fins estéticos pode trazer riscos graves e permanentes, principalmente quando utilizado de forma inadequada.

Segundo o cirurgião plástico Marcio Harada, o PMMA é um material permanente e sua aplicação deve obedecer às indicações previstas pela regulamentação. Diferentemente do ácido hialurônico, que é absorvido pelo organismo, o PMMA permanece nos tecidos e, quando surgem complicações, sua remoção costuma exigir procedimentos cirúrgicos.

Entre os principais riscos estão embolia pulmonar, necrose, infecções, migração da substância e intensas reações inflamatórias. O especialista explica que, caso partículas atinjam a corrente sanguínea, podem provocar tromboembolismo pulmonar, além de outras complicações potencialmente graves.

Outro fator de preocupação é que os efeitos adversos podem surgir anos após a aplicação. O organismo pode reconhecer o PMMA como um corpo estranho, favorecendo o aparecimento de nódulos, inflamações e infecções tardias.

O tratamento das complicações nem sempre é resolvido apenas com medicamentos. Em muitos casos, antibióticos e corticoides ajudam a controlar a inflamação, mas a retirada do produto pode ser necessária. Ainda assim, a remoção completa costuma ser difícil, já que o material fica integrado aos tecidos.

Além das complicações locais, aplicações em grandes volumes podem provocar alterações sistêmicas, como hipercalcemia e insuficiência renal. O especialista reforça que os pacientes devem buscar informações, compreender os riscos envolvidos e tomar decisões conscientes antes de realizar qualquer procedimento estético com substâncias permanentes.

Fonte: Assessoria de Comunicação e cirurgião plástico Marcio Harada

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