Ministério da Saúde mantém suspensa vacina da dengue do Butantan e orienta armazenamento dos estoques

Imunizante teve aplicação interrompida após registro de 42 reações graves e duas mortes sob investigação; estados e municípios devem conservar as doses até nova decisão.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

O Ministério da Saúde determinou que estados e municípios mantenham armazenadas as vacinas contra a dengue desenvolvidas pelo Instituto Butantan até a conclusão das investigações sobre possíveis eventos adversos relacionados ao imunizante. A medida foi adotada de forma preventiva após a identificação de 42 casos graves e duas mortes que seguem em análise pelas autoridades sanitárias.

De acordo com o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, a distribuição da vacina está temporariamente interrompida e todas as doses existentes nos estoques estaduais e municipais devem permanecer conservadas na rede de frio até nova orientação do governo federal.

Os casos foram identificados pelo sistema de vigilância do Programa Nacional de Imunizações durante o monitoramento de rotina. Entre os sintomas observados estão dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e perda de consciência. Também foram registrados três casos compatíveis com dengue grave que exigiram internação hospitalar.

Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam recebido o imunizante em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO), incluindo profissionais de saúde e pessoas com mais de 15 anos.

Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão não representa perda de eficácia da vacina, mas segue o princípio da precaução até que especialistas concluam a análise dos casos. A expectativa é que novas notificações possam surgir após a divulgação dos eventos adversos.

A orientação é que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias observem sintomas como febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos e vômitos. Em caso de qualquer sinal suspeito, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Enquanto um comitê de especialistas avalia os dados coletados pela vigilância epidemiológica, ainda não há previsão para a retomada da aplicação da vacina do Butantan. O Ministério da Saúde reforça que a vacina Qdenga, utilizada pelo SUS em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, segue sendo aplicada normalmente e não apresentou alertas de segurança.

Fontes: Ministério da Saúde; Programa Nacional de Imunizações (PNI); Rádio Nacional / agência Brasil

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