Vício em apostas afeta milhões de brasileiros e acende alerta para saúde mental

Especialistas apontam aumento de casos de ludopatia, endividamento e transtornos emocionais impulsionados pela popularização das plataformas de apostas online.

Foto: Internet.

O crescimento acelerado das apostas esportivas no Brasil tem ampliado a preocupação de especialistas com o avanço da ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos. Estudos indicam que mais de 2 milhões de brasileiros enfrentam quadros severos de dependência, condição que pode provocar dívidas, conflitos familiares, ansiedade, depressão e isolamento social.

Com a popularização das chamadas "bets" e o aumento da exposição publicitária em eventos esportivos, profissionais da saúde observam uma procura cada vez maior por tratamento. Jovens entre 18 e 35 anos estão entre os grupos mais vulneráveis, impulsionados pelo fácil acesso às plataformas digitais e pelo uso constante de smartphones.

Especialistas explicam que a dependência em apostas ativa mecanismos cerebrais semelhantes aos observados em usuários de substâncias químicas. A expectativa de ganhos gera estímulos de recompensa que alimentam o comportamento compulsivo, levando muitos apostadores a repetirem ciclos de perdas, tentativas de recuperação financeira e novas apostas.

Relatos de pessoas em recuperação mostram que o vício pode resultar em endividamento elevado, perda de patrimônio, rompimento de relacionamentos e graves impactos emocionais. Em casos extremos, a compulsão pode levar ao isolamento social e a pensamentos suicidas.

Grupos de apoio têm desempenhado papel fundamental no processo de recuperação. Baseados em programas de ajuda mútua, esses encontros oferecem acolhimento, compartilhamento de experiências e acompanhamento contínuo para quem busca retomar o controle da própria vida.

Desde o fim de 2025, brasileiros podem utilizar mecanismos de autoexclusão para bloquear voluntariamente o acesso a plataformas de apostas online. A ferramenta permite suspender o acesso por períodos determinados ou de forma indeterminada, impedindo depósitos, apostas e o recebimento de publicidade direcionada.

A legislação também exige que operadoras autorizadas adotem medidas de prevenção ao jogo compulsivo, incluindo monitoramento de comportamento de risco, verificação de identidade e mecanismos de proteção aos usuários.

Especialistas destacam alguns indícios que podem apontar o desenvolvimento da ludopatia:

Preocupação constante com apostas e resultados esportivos; Aumento progressivo dos valores apostados; Irritação ao tentar reduzir ou interromper o hábito; Ocultação de gastos da família e amigos; Alterações de humor relacionadas a perdas e ganhos; Problemas financeiros recorrentes; Ansiedade, insônia, isolamento social e dificuldade de concentração.

Profissionais da saúde alertam que grandes eventos esportivos podem aumentar a exposição de pessoas vulneráveis às apostas e favorecer recaídas. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da informação, do apoio familiar, da busca por tratamento e do fortalecimento das políticas de prevenção para reduzir os impactos sociais e emocionais causados pela dependência em jogos.

Fonte: Universidade de São Paulo (USP), Ministério da Fazenda, profissionais de saúde e especialistas em dependência comportamental

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