Vacina experimental contra HIV atinge neutralização com dose única em primatas, aponta estudo

Pesquisa publicada na Nature Immunology indica avanço que pode reduzir número de aplicações e ampliar acesso global.

Foto: CFF.

Cientistas do Instituto Wistar, nos Estados Unidos, desenvolveram uma vacina experimental contra o HIV capaz de induzir anticorpos neutralizantes após apenas uma dose em primatas. O estudo, divulgado na Nature Immunology, sugere uma estratégia que pode simplificar os atuais protocolos de imunização, tradicionalmente baseados em múltiplas aplicações.

A pesquisa foca na modificação da proteína do envelope do HIV, estrutura que recobre o vírus e é alvo central no desenvolvimento de vacinas. O imunógeno criado, chamado WIN332, foi projetado a partir de alterações no epítopo do glicano V3, com a remoção do glicano N332 — componente antes considerado essencial para a ação de anticorpos neutralizantes.

Segundo a pesquisadora Amelia Escolano, autora sênior do estudo, a aplicação única gerou neutralização mensurável do vírus em apenas três semanas — resultado incomum em pesquisas sobre HIV, que costumam exigir sete ou mais doses para alcançar respostas semelhantes.

Um reforço posterior com imunógeno relacionado elevou significativamente os níveis de anticorpos, reforçando o potencial da abordagem.

A retirada do glicano N332 também permitiu identificar dois tipos distintos de anticorpos contra a região V3. Além do modelo já conhecido, dependente do açúcar para se ligar ao vírus, os cientistas descreveram um segundo perfil capaz de atuar independentemente do glicano, ampliando as possibilidades de proteção contra diferentes cepas do HIV.

O imunógeno WIN332 já desperta interesse para avanço a testes clínicos em humanos. Caso os resultados se confirmem, especialistas avaliam que esquemas com cerca de três doses poderão ser suficientes para gerar imunidade robusta, tornando a vacinação mais viável em escala global.

Ainda em fase pré-clínica, a vacina experimental representa um avanço estratégico na busca por proteção eficaz contra o HIV. Se validada em humanos, a tecnologia poderá reduzir o número de aplicações necessárias e ampliar o acesso à imunização em diferentes contextos de saúde pública.

Fontes: Instituto Wistar / Nature Immunology / pesquisadores responsáveis pelo estudo / CFF

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