Trabalhadores de aplicativo ganham mais, mas enfrentam maior informalidade e jornada mais longa

Segundo o IBGE, plataformizados receberam R$ 2.996 em 2024, mas trabalharam mais horas e têm menos proteção previdenciária.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Em 2024, os trabalhadores por aplicativos tiveram rendimento médio mensal de R$ 2.996, valor 4,2% maior que o dos não plataformizados (R$ 2.875), segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE.

Apesar da renda superior, os plataformizados trabalharam 44,8 horas semanais, contra 39,3 horas dos demais. Assim, o rendimento por hora (R$ 15,4) foi 8,3% inferior ao dos que não atuam via aplicativo (R$ 16,8/hora), o que indica que precisam trabalhar mais para garantir melhor remuneração.

O levantamento aponta 1,7 milhão de pessoas ocupadas por meio de plataformas digitais — incluindo motoristas, entregadores e prestadores de serviços como designers e profissionais de saúde.

Entre os trabalhadores com ensino fundamental ou médio incompleto, os plataformizados ganham até 50% a mais que a média. Porém, quem tem nível superior e atua por aplicativo recebe 29,8% menos que os demais, o que reflete dificuldades em encontrar vagas na área de formação.

A pesquisa também mostra alta informalidade: 71,7% dos plataformizados trabalham sem registro ou CNPJ, contra 43,8% entre os demais ocupados. Apenas 35,9% contribuem para a previdência social, enquanto 61,9% dos não plataformizados têm cobertura.

No caso dos motoristas de aplicativo, o rendimento médio foi de R$ 2.766, com 45,9 horas semanais de jornada. Já entre os motociclistas, o ganho médio foi de R$ 2.119, superando em 28,2% o dos não plataformizados. Ambos os grupos, porém, apresentaram índices de informalidade acima de 80%.

A discussão sobre o vínculo empregatício entre trabalhadores e plataformas está em debate no Supremo Tribunal Federal (STF) e deve ser retomada em novembro, conforme o presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Link da notícia: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/trabalhador-por-aplicativo-ganha-mais-porem-tem-jornadas-mais-longas

Fontes: IBGE / Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) / Agência Brasil

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