Home office intensifica sobrecarga digital e ameaça saúde mental dos trabalhadores

Especialistas alertam que a hiperconexão e a ausência de pausas estão levando profissionais ao esgotamento e aumentando casos de burnout digital.

Foto: Shutterstock.

O modelo de home office, consolidado após a pandemia, trouxe flexibilidade e praticidade, mas também gerou um novo problema: a sobrecarga digital. A fronteira entre casa e trabalho se tornou cada vez mais difusa, resultando em profissionais esgotados e com dificuldade de se desconectar.

Segundo a psicóloga Aila Cardial, especialista em saúde mental corporativa, o fenômeno ocorre quando o corpo está presente, mas a mente não desliga. “É o risco do burnout digital, disfarçado de produtividade”, afirma. Ela defende o fortalecimento do direito à desconexão, que garante o descanso fora do horário de trabalho.

Durante a pandemia, a hiperconexão levou muitas empresas a adotarem medidas para preservar o bem-estar dos funcionários, como o bloqueio de e-mails fora do expediente. A partir do próximo ano, a NR-01 tornará obrigatórias ações voltadas à saúde mental no ambiente de trabalho.

A psicóloga Isabela Campos, da Holiste Psiquiatria, reforça que o excesso de estímulos digitais causa estresse, ansiedade e fadiga mental, afetando também crianças e adolescentes. Segundo ela, o equilíbrio depende de consciência e limites: “O mundo digital não é o vilão, o problema é o uso excessivo e inconsciente”.

Para reduzir o esgotamento, especialistas recomendam pausas regulares, controle de notificações, definição de horários fixos de trabalho e momentos offline. “Produtividade não pode custar a saúde mental. É preciso desacelerar antes que o corpo cobre o preço”, conclui Aila.

Como evitar o esgotamento digital

Estabeleça limites claros entre o trabalho e a vida pessoal.

Defina horários fixos para começar e encerrar o expediente. Evite responder mensagens e e-mails fora desse período — mesmo que seja tentador “só resolver rapidinho”.

Crie rituais de início e fim do dia.

Troque de roupa, caminhe, faça um café ou ouça música antes de começar a trabalhar. E ao encerrar o expediente, desligue o computador e saia do ambiente de trabalho.

Programe pausas reais.

A cada 60 a 90 minutos, levante, alongue-se, respire fundo ou olhe pela janela. Pequenas pausas ajudam o cérebro a processar melhor as informações e reduzem a fadiga mental.

Reduza as notificações.

Desative alertas de aplicativos e organize horários específicos para checar e-mails e mensagens. A sensação de urgência constante é um dos principais gatilhos do estresse digital.

Cuide do sono.

Evite telas pelo menos 1 hora antes de dormir. A luz azul inibe a produção de melatonina e prejudica a qualidade do descanso.

Separe os dispositivos de lazer e trabalho

Se possível, use aparelhos ou perfis diferentes para o profissional e o pessoal. Isso ajuda o cérebro a compreender quando é hora de desconectar.

Pratique o “direito à desconexão

Permita-se estar offline. Avise sua equipe sobre seus horários de descanso e respeite o tempo dos colegas também.

Invista em momentos sem tela

Leia um livro físico, cozinhe, caminhe, encontre pessoas. O contato com o mundo real recarrega a mente de forma que nenhum feed digital consegue.

Reorganize suas prioridades

Nem tudo é urgente. Aprender a delegar e dizer “não” quando necessário é fundamental para preservar a saúde mental.

Busque apoio quando necessário

Sintomas como irritabilidade, insônia, cansaço extremo e perda de prazer nas atividades são sinais de alerta. Nesses casos, procure ajuda psicológica ou médica.

Link noticia: https://www.correio24horas.com.br/economia/empregos/exaustos-e-online-o-peso-invisivel-do-home-office-1025

Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego / Agência Brasil / correio*

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