MPF investiga demora da Anvisa na liberação de importações de Canabidiol

Inquérito Civil apura possível morosidade no processo de autorização de entrada do medicamento usado no tratamento de transtornos de ansiedade; Anvisa tem 30 dias para se manifestar.

Foto: Reprodução.

O Ministério Público Federal (MPF) na Bahia instaurou um Inquérito Civil para investigar a demora na importação do medicamento Canabidiol, substância derivada da cannabis utilizada em tratamentos médicos, especialmente para transtornos de ansiedade (TAG). A medida foi formalizada nesta terça-feira (7) por meio de portaria assinada pelo Procurador da República Leandro Bastos Nunes.

De acordo com o documento, o objetivo da investigação é “apurar suposta morosidade no andamento do processo de importação do medicamento Canabidiol para tratamento de transtornos de ansiedade (TAG) perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

A apuração foi motivada por relatos de que pacientes e familiares têm enfrentado longas esperas para obter autorização da Anvisa para importar o produto, muitas vezes comprometendo a continuidade dos tratamentos e gerando impactos diretos na saúde dos usuários.

MPF cobra esclarecimentos e celeridade no trâmite

O procurador determinou a expedição de um ofício à Gerência-Geral de Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados (GGPAF) da Anvisa, solicitando informações sobre as causas da lentidão nos processos e a possibilidade de acelerar o trâmite de inspeção e liberação do Canabidiol.

O MPF deu à agência prazo de 30 dias para apresentar resposta formal. No ofício, o procurador ressalta que, segundo nota técnica interna da própria Anvisa, é possível adotar procedimentos simplificados para medicamentos destinados a tratamentos contínuos de saúde, como é o caso do Canabidiol.

O MPF busca verificar se a agência tem cumprido prazos razoáveis e se há falhas administrativas que estejam dificultando o acesso de pacientes ao medicamento — especialmente em casos com prescrição médica e autorização prévia.

Contexto: o Canabidiol e a regulação da Anvisa

O Canabidiol (CBD) é um dos principais compostos da planta Cannabis sativa e tem sido amplamente utilizado no tratamento de transtornos neurológicos, epilepsia refratária, ansiedade, autismo e dores crônicas.

No Brasil, a Anvisa autoriza a importação do medicamento desde 2015, mediante prescrição médica e laudo profissional, mas o processo exige análise documental e inspeção alfandegária, o que pode levar semanas — ou até meses — dependendo da demanda e da complexidade de cada caso.

Diversos relatos de pacientes e entidades de saúde apontam que a morosidade da Anvisa tem dificultado o acesso a terapias essenciais, especialmente para pessoas com transtornos de ansiedade generalizada (TAG) e condições neurológicas graves, que dependem do uso contínuo do Canabidiol para estabilizar sintomas.

Impacto na saúde e direito de acesso a medicamentos

O MPF entende que a burocracia excessiva e a lentidão nos processos de importação podem representar violação ao direito constitucional à saúde, previsto no artigo 196 da Constituição Federal.

Segundo especialistas, o Canabidiol tem se mostrado uma alternativa eficaz em casos de resistência a medicamentos tradicionais, sendo prescrito por profissionais de saúde em todo o país. Assim, o atraso na liberação de novas remessas pode interromper tratamentos e causar agravamento dos quadros clínicos.

A investigação poderá resultar em recomendações à Anvisa, ajustes administrativos ou até em medidas judiciais, caso sejam identificadas irregularidades no trâmite de importação.

Próximos passos

Com a abertura do inquérito, o MPF deverá acompanhar a resposta da Anvisa e avaliar a necessidade de oitivas, requisições de documentos e outras diligências. Caso se confirme a morosidade, o órgão poderá propor termos de ajustamento de conduta (TAC) ou ações civis públicas para garantir a celeridade e transparência do processo.

O tema ganha relevância em um momento em que cresce o número de pacientes autorizados a importar o Canabidiol no Brasil — e em que o país ainda busca regulamentar de forma mais ampla o uso medicinal da cannabis, equilibrando segurança sanitária e acesso humanizado.

Fontes: Ministério Público Federal (MPF) – Procuradoria da República na Bahia / Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) / Bahia Notícias

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