Bahia tem 2.625 mil pessoas à espera de transplante de órgãos e ocupa 4ª posição no ranking nacional

Estado lidera a fila no Nordeste; rim é o órgão mais demandado, com mais de 2,5 mil pacientes em espera, segundo dados do Ministério da Saúde.

Foto: Imagem Ilustrativa. Ascom do Clériston Andrade.

A Bahia ocupa a 4ª posição entre os estados brasileiros com maior número de pacientes à espera de transplantes de órgãos. Até setembro de 2025, eram 2.625 pessoas na fila do Sistema Nacional de Transplantes, de acordo com o painel do Ministério da Saúde. O levantamento coloca o estado atrás apenas de São Paulo (22.613 pacientes), Minas Gerais (4.264) e Paraná (2.707).

No Nordeste, a Bahia lidera o ranking e ultrapassa estados como Pernambuco (2.198 pacientes) e Ceará (1.917), além de outras unidades federativas da região.

Perfil da fila de espera na Bahia

Segundo o painel federal, o rim é o órgão mais aguardado: 2.511 pacientes esperam pelo transplante. Em seguida aparecem:

- Fígado: 106 pacientes

- Coração: 8 pacientes

Pâncreas, pulmão e multivisceral: sem pacientes em fila

Do total de pessoas que aguardam, 60% são homens (1.583 pacientes) e 40% mulheres (1.042 pacientes).

Divergências nos números

Os dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam números diferentes. Segundo o órgão estadual, até setembro, havia:

- Rim: 2.156 pacientes

- Fígado: 63 pacientes

Córneas: 1.638 pacientes

Coração: 1 paciente

Pulmão: nenhum paciente

A Sesab justifica a divergência em relação ao painel do Ministério da Saúde pelo uso de metodologias e recortes temporais distintos, além de bases de dados diferentes.

Crescimento dos transplantes na Bahia

Apesar da fila expressiva, especialistas destacam avanços. A nefrologista Manuela Lordelo, em entrevista ao Bahia Notícias, ressaltou o crescimento da quantidade de transplantes realizados no estado.

“No que tange ao transplante renal, os números vêm numa crescente. Até agosto de 2025, por exemplo, o Hospital Ana Nery realizou 155 transplantes renais adultos e 7 pediátricos. Porém, ainda é preocupante que cerca de 1.000 pessoas internadas aguardem vagas em clínicas satélites para hemodiálise, o que se torna um problema de saúde pública”, explicou.

A importância da doação de órgãos

A especialista reforçou a necessidade de campanhas de conscientização para reduzir as negativas familiares na hora da autorização de doação.

“O estímulo de políticas públicas é fundamental para o esclarecimento das dúvidas dos familiares e possível redução da negativa familiar para doação. Temos vários centros transplantadores no estado empenhados, mas a orientação da população é essencial para alavancar esse crescimento”, completou Lordelo.

Fontes: Ministério da Saúde – Painel “Lista de Espera e Transplantes Realizados no Brasil” / Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) / Bahia Notícias – Entrevista com a médica nefrologista Manuela Lordelo / Bahia Notícias

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