STF envia ao Congresso projeto de reajuste de 8% para servidores do Judiciário entre 2026 e 2028

Proposta prevê aumentos anuais em julho e busca conter evasão de profissionais para outros setores.

Foto: Internet.

O Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê reajuste anual de 8% para os servidores do Poder Judiciário da União no período de 2026 a 2028. O texto foi protocolado na Câmara dos Deputados na quarta-feira (24) e deverá passar pela análise das comissões e do plenário.

Justificativa do STF

Segundo a Corte, a medida tem como objetivo assegurar condições adequadas de trabalho, valorizar os profissionais e manter a atratividade das carreiras do Judiciário. Em exposição de motivos, o STF destacou que a evasão de servidores qualificados tem se intensificado, sobretudo para outros órgãos públicos com planos de carreira mais competitivos e para a iniciativa privada, em áreas estratégicas como direito e tecnologia da informação.

“A proposição busca assegurar condições adequadas de trabalho, valorizar os profissionais e fortalecer a atratividade e a permanência de servidores qualificados nas carreiras do Poder Judiciário da União, contribuindo para o aprimoramento da gestão de pessoas e da eficiência institucional”, afirma o documento.

Detalhes da proposta

O projeto prevê que os reajustes sejam aplicados sempre no mês de julho, durante três anos consecutivos: 2026, 2027 e 2028. O aumento contemplará servidores efetivos, concursados e ocupantes de cargos comissionados.

Se aprovado, o impacto orçamentário precisará ser absorvido dentro das regras fiscais e do teto de gastos estabelecido pelo arcabouço vigente.

Comparação com a inflação

Atualmente, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE, registra uma inflação acumulada de 5,13% nos últimos 12 meses até agosto. O percentual sugerido pelo STF, portanto, supera a variação oficial da inflação, reforçando a intenção de recuperar a defasagem salarial dos últimos anos.

Apoio institucional

Além do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, o projeto é assinado pelos presidentes de outros tribunais superiores:

- Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

- Herman Benjamin, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

- Aloysio Corrêa da Veiga, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

- Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM)

- Waldir Leôncio Júnior, presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT)

Essa articulação conjunta evidencia a convergência entre as cúpulas do Judiciário sobre a necessidade de valorização da categoria.

Próximos passos

Agora, caberá ao Congresso avaliar o texto. A tramitação deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pela Comissão de Finanças e Tributação, antes de ser apreciado em plenário. Caso aprovado, seguirá para sanção presidencial.

O debate sobre o impacto fiscal e a compatibilidade com o orçamento federal tende a marcar a análise dos parlamentares, em um momento de atenção redobrada às contas públicas.

Fontes: Supremo Tribunal Federal (STF) / Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) / Câmara dos Deputados / Bahia Notícias

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