Banco Central adia lançamento do Pix parcelado para reforçar segurança do sistema financeiro

Ferramenta promete padronizar juros e oferecer alternativa ao cartão de crédito, mas estreia foi adiada sem nova data definida.

Foto: Shutterstock.

O Pix parcelado, recurso esperado para ser lançado em setembro, teve sua estreia adiada pelo Banco Central (BC). A decisão foi tomada para que a instituição concentre seus esforços no reforço da segurança do sistema financeiro nacional, diante de um cenário de crescente digitalização das transações e de novas demandas relacionadas à proteção de dados e prevenção a fraudes.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, ainda não há uma nova data oficial para o lançamento da funcionalidade. Contudo, estima-se que o atraso dure pelo menos um mês. O Banco Central não detalhou quais medidas adicionais estão sendo implementadas nesse período.

Como vai funcionar o Pix parcelado

Embora ainda não esteja oficialmente padronizado pelo BC, o Pix parcelado já funciona na prática em algumas instituições financeiras. Hoje, bancos oferecem a possibilidade de o cliente realizar um pagamento instantâneo via Pix sem utilizar todo o saldo disponível em conta, parcelando posteriormente o valor com a cobrança de juros.

As taxas atuais variam entre 1,59% e 9,99% ao mês, dependendo da instituição e do perfil do cliente. A proposta do Banco Central, ao assumir a regulação do serviço, é padronizar essas taxas, criando um teto ou uma faixa de referência para todas as operações.

A expectativa do mercado é de que os juros do Pix parcelado sejam mais baixos que os aplicados no cartão de crédito, já que não haverá intermediação das operadoras, cabendo ao banco assumir o risco de inadimplência.

Comparação com cartão de crédito

O modelo será semelhante a um empréstimo bancário vinculado ao Pix, no qual o lojista ou prestador de serviço recebe o valor à vista, enquanto o pagador quita o montante em parcelas. Essa dinâmica pode se tornar uma alternativa competitiva ao crédito rotativo e ao parcelamento tradicional do cartão, modalidades frequentemente criticadas pelos altos juros praticados no Brasil.

Especialistas avaliam que o novo recurso pode ampliar o acesso ao crédito, principalmente para consumidores com menor limite nos cartões, mas reforçam a importância de regras claras para evitar o endividamento excessivo.

Segurança como prioridade

O Banco Central tem reforçado que a segurança é um pilar central no desenvolvimento do Pix desde o seu lançamento em 2020. A decisão de adiar a nova modalidade reforça a preocupação da autoridade monetária em garantir que fraudes, golpes e vulnerabilidades não comprometam a confiança do sistema.

Entre as medidas já adotadas pelo BC nos últimos anos estão o bloqueio cautelar de transações suspeitas, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e limites de valor em horários noturnos. O mesmo rigor será aplicado ao Pix parcelado, que envolve risco de crédito e inadimplência.

O que esperar do futuro do Pix parcelado

Embora ainda não haja uma data oficial de estreia, a expectativa é de que o serviço esteja disponível até o fim de 2025. Bancos e fintechs já se movimentam para adaptar suas plataformas e oferecer condições atrativas aos clientes assim que o modelo regulado for liberado.

Com isso, o Pix deve se consolidar ainda mais como um dos principais instrumentos financeiros do país, agora com a possibilidade de funcionar como um meio de pagamento instantâneo aliado ao crédito parcelado, ampliando seu impacto sobre o mercado de cartões e sobre os hábitos de consumo da população brasileira.

Fontes: Banco Central do Brasil / Jornal O Estado de S. Paulo / Relatórios oficiais do Pix (2020–2025) / correio*

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