Câncer de mama atinge 70 mil brasileiras por ano: novas diretrizes ampliam prevenção e reforçam importância da detecção precoce

Ministério da Saúde recomenda mamografia a partir dos 40 anos e até os 74; especialistas alertam que autoexame e consultas regulares continuam essenciais.

Foto: Imagem: AYO Production | Shutterstock.

O câncer de mama continua sendo a doença mais incidente entre mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma, e representa uma das principais causas de morte feminina. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a cada ano 70 mil brasileiras recebem o diagnóstico. Apenas entre 2018 e 2023, foram mais de 108 mil casos em mulheres com menos de 50 anos, o que equivale a um terço de todos os diagnósticos no período.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde anunciou, em 2025, novas diretrizes para o rastreamento da doença. A principal mudança é a recomendação da mamografia a partir dos 40 anos, mediante indicação médica, com ampliação da faixa etária máxima para 74 anos. A medida busca atender mulheres que antes não estavam contempladas na política pública de rastreamento, reforçando o cuidado e ampliando as chances de detecção precoce.

O papel do autoexame e das consultas regulares

Especialistas destacam que o autoexame das mamas, embora não substitua a mamografia, é uma prática fundamental de autoconhecimento corporal. Deve ser feito mensalmente, preferencialmente após o fim da menstruação, quando os seios estão menos sensíveis.

“O objetivo é que a mulher conheça o próprio corpo e perceba rapidamente qualquer alteração, como caroços, retrações, secreções ou mudanças na pele”, orienta a ginecologista e obstetra Paula Batista, do Studio Gorga Bem-Estar. Ao notar qualquer sinal suspeito, a paciente deve procurar imediatamente avaliação médica.

A médica acrescenta que consultas ginecológicas devem ocorrer anualmente em mulheres sem fatores de risco, mas podem ser semestrais em casos de histórico familiar. “Mulheres com mãe ou irmãs diagnosticadas com câncer de mama, por exemplo, precisam começar a prevenção mais cedo e com intervalos menores entre os exames”, ressalta.

Novas recomendações para a mamografia

A mamografia permanece indicada a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, mas agora também pode ser realizada a partir dos 40 anos, faixa em que uma parte significativa dos casos é registrada.

“Detectar tumores no início pode reduzir em até 30% a mortalidade por câncer de mama. É um dado que mostra como o rastreamento salva vidas”, explica a ginecologista e cirurgiã Graziele Cervantes, do Studio Gorga Bem-Estar.

Em situações específicas, outros exames podem complementar a investigação. O ultrassom é útil em mulheres mais jovens ou com mamas densas, enquanto a ressonância magnética pode ser indicada em casos de alto risco ou dúvida diagnóstica. A estratégia, segundo especialistas, deve ser sempre individualizada.

Fatores de risco

O câncer de mama não é exclusivamente hereditário. De acordo com a ginecologista e obstetra Gabriela Biava, também do Studio Gorga Bem-Estar, a doença resulta de uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais.

Entre os aspectos ligados à vida reprodutiva, a gestação após os 35 anos pode elevar o risco, assim como a opção de não engravidar. Isso ocorre porque a exposição prolongada aos hormônios estrogênio e progesterona aumenta a chance de mutações nas células mamárias.

“É um aspecto a ser considerado, mas não significa que toda mulher que engravida mais tarde terá câncer”, esclarece a médica.

Prevenção e estilo de vida

Além do acompanhamento médico, hábitos saudáveis podem reduzir os riscos da doença. Manter o peso adequado, praticar exercícios físicos regularmente e evitar o consumo excessivo de álcool estão entre os principais cuidados preventivos.

“Quanto mais cedo descobrimos a doença, maiores são as chances de cura e de um tratamento menos agressivo”, reforça a Dra. Graziele Cervantes.

Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA) / Ministério da Saúde / Studio Gorga Bem-Estar – especialistas consultados / Diretrizes Nacionais de Rastreamento do Câncer de Mama (2025) / correio*

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