A inflação voltou a acelerar em setembro, após registrar queda no mês anterior. De acordo com a prévia divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (25), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,48%, revertendo o resultado negativo de agosto (-0,14%). A alta foi fortemente influenciada pelo aumento expressivo da energia elétrica, que impactou diretamente o grupo Habitação.
Esse resultado representa a maior variação mensal do ano desde março, quando o índice ficou em 0,64%. No acumulado de 2025, o IPCA-15 soma alta de 3,76%, enquanto nos últimos 12 meses a inflação medida pelo indicador foi de 5,32%, acima dos 4,95% registrados no período anterior. Em setembro de 2024, a taxa havia sido de 0,13%.
Energia elétrica: principal vilã da alta
O grupo Habitação foi o que mais pesou no índice, com avanço de 3,31% em setembro, após queda de 1,13% em agosto. Dentro dele, a energia elétrica residencial foi o item de maior impacto individual no IPCA-15 do mês, subindo 12,17%.
Três fatores explicam esse salto:
- o fim do Bônus de Itaipu, concedido em agosto e que reduziu temporariamente o valor das faturas;
- a aplicação da bandeira tarifária vermelha patamar 2, em vigor desde 1º de setembro, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 Kwh consumidos;
- e reajustes tarifários, como o de 4,25% em Belém, aplicado a partir de 7 de agosto.
Ainda dentro do grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu em Salvador (4,97%), e o gás encanado teve alta em Curitiba (6,41%), refletindo em aumentos nacionais de 0,02% e 0,19%, respectivamente.
Outros grupos em destaque
Além de Habitação, quatro dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados também registraram alta em setembro:
- Vestuário: 0,97%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,36%
- Despesas pessoais: 0,20%
- Educação: 0,03%
Por outro lado, houve queda em Alimentação e bebidas (-0,35%), Transportes (-0,25%), Artigos de residência (-0,16%) e Comunicação (-0,08%).
A alimentação no domicílio continua em trajetória de recuo: caiu 0,63% em setembro, após queda de 1,02% em agosto. Esse foi o quarto mês consecutivo de deflação no setor.
Relevância do índice
O IPCA-15 é considerado a prévia oficial da inflação e serve como importante referência para as políticas econômicas do governo e para decisões do Banco Central em relação à taxa de juros. A alta em setembro sinaliza uma pressão inflacionária significativa, especialmente vinda do setor de energia, que pode repercutir no custo de vida das famílias e na competitividade da economia.
Fontes: IBGE; Agência Brasil.
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