CAPS na Bahia ainda enfrentam estigma e precarização do trabalho, apontam pesquisadoras da Uefs

Mesmo fundamentais para o tratamento em saúde mental, centros sofrem com falta de recursos e desigualdades no acesso.

Foto montagem: Ronne Oliveira / Bahia Notícias.

Durante o mês de setembro, marcado pela campanha de prevenção ao suicídio e conscientização sobre saúde mental, pesquisadoras da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) chamaram atenção para a realidade dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no interior da Bahia. Apesar de serem considerados pilares do cuidado em saúde mental, esses serviços ainda convivem com estigma social, precarização das condições de trabalho e carência de recursos.

A importância da RAPS

Os CAPS integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que atua em diferentes níveis de complexidade, oferecendo desde acompanhamento terapêutico até residências e unidades de acolhimento. Para a enfermeira e pesquisadora Iandra Ferreira, a RAPS é a porta de entrada para um sistema essencial, especialmente em municípios do interior.

“A RAPS é a porta de entrada para um sistema amplo e fundamental de saúde, principalmente no interior. Ela oferece assistência em diversos níveis de complexidade, com serviços que incluem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas e unidades de acolhimento”, explica.

Desigualdades regionais

A pesquisadora Sinara Souza, também da Uefs, aponta que as disparidades no acesso aos serviços de saúde mental são marcantes no estado.

“Cada município vive essa realidade de forma única. Enquanto cidades como Feira de Santana possuem uma rede mais estruturada, os municípios menores enfrentam desafios ainda mais profundos”, destacou.

Essas diferenças refletem diretamente na qualidade do atendimento e na possibilidade de continuidade do cuidado aos usuários.

Crescente demanda e limitações

Segundo o Observatório de Saúde Pública (OPS), em 2024 a Bahia registrou mais de mil internações por depressão, número que reforça a urgência de fortalecer a rede de atendimento especializado. Contudo, além da alta demanda, os CAPS enfrentam problemas de financiamento, falta de profissionais e condições precárias de trabalho, fatores que comprometem a eficácia do serviço.

Para as pesquisadoras, a valorização das equipes, a formação contínua de profissionais e o combate ao estigma são fundamentais para que os CAPS cumpram seu papel de forma plena.

Estigma e resistência social

Outro desafio relevante é o preconceito histórico em torno da saúde mental, que ainda afasta parte da população dos serviços. Muitos usuários e familiares sentem-se discriminados, o que dificulta a adesão ao tratamento. Para especialistas, ações de conscientização comunitária e integração com a atenção básica em saúde podem ajudar a diminuir essas barreiras.

Avanços e perspectivas

Apesar dos obstáculos, as pesquisadoras destacam que os CAPS têm sido fundamentais na redução de internações psiquiátricas prolongadas e na promoção da reinserção social de pessoas com transtornos mentais. A consolidação da RAPS, segundo elas, depende de investimento contínuo em infraestrutura e políticas públicas que priorizem a saúde mental como um direito essencial.

Fontes: Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) / Bahia Notícias (BN) / Observatório de Saúde Pública (OPS)


 

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