A rotina de caminhoneiros brasileiros é marcada por jornadas exaustivas, pressão por prazos, longos períodos de solidão e insegurança financeira. Esse cenário, segundo especialistas, tem impacto direto na saúde mental da categoria, elevando os índices de ansiedade, depressão e estresse.
Pesquisas do Ministério Público do Trabalho (MPT) indicam que mais da metade dos motoristas trabalha entre 9 e 16 horas por dia, e quase um quarto dirige por mais de 13 horas. Além disso, 27% recorrem a drogas ou estimulantes para se manter acordados, aumentando riscos de acidentes.
O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes afirma que o problema já é estrutural e provoca o chamado “apagão de motoristas”, em que a profissão deixa de atrair jovens devido às más condições de trabalho. A média de idade atual é de 46 anos.
Estudos também mostram que a chance de desenvolver transtornos mentais é três vezes maior entre os caminhoneiros que trabalham acima de 12 horas diárias. A solidão e a distância prolongada da família ampliam a vulnerabilidade emocional.
Para especialistas, além de políticas públicas que garantam estradas seguras e pontos de parada adequados, as empresas precisam cumprir a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que agora exige ambientes psicologicamente saudáveis e monitoramento dos riscos psicossociais.
Segundo o psiquiatra Alcides Trentin Junior, dirigir por longos períodos deve ser reconhecido como uma atividade penosa, que exige acompanhamento contínuo e maior atenção às condições de saúde física e mental dos profissionais.
Fonte: Ministério Público do Trabalho / Agência Brasil
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