Foi divulgado nesta quarta-feira (17) o primeiro estudo clínico de fase 3 sobre a segurança e eficácia do Mounjaro (tirzepatida) em crianças e adolescentes com diabetes tipo 2. O medicamento, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, demonstrou resultados positivos no controle da glicemia e no manejo do peso, em um cenário em que opções de tratamento para esse público ainda são bastante limitadas.
A pesquisa, chamada Surpass-peds, envolveu pacientes entre 10 e menos de 18 anos, incluindo brasileiros, todos com diagnóstico de diabetes tipo 2 não controlado adequadamente com metformina, insulina basal ou ambos. Os resultados foram apresentados no Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes de 2025 e publicados simultaneamente no The Lancet.
Principais resultados
Durante 30 semanas de acompanhamento, o Mounjaro alcançou o desfecho primário e todos os desfechos secundários, com destaque para:
- Redução média da hemoglobina glicada de 2,2% em relação ao placebo, partindo de uma linha basal de 8,05%.
- 86,1% dos participantes na dose de 10 mg atingiram a meta de hemoglobina glicada ≤ 6,5%.
- Redução média de 11,2% no IMC, considerando a dose mais alta estudada (10 mg), em comparação ao placebo.
Essas melhorias foram mantidas ao longo de 52 semanas na extensão de longo prazo do estudo, reforçando a eficácia do medicamento em jovens com a doença.
Impacto clínico
A investigadora principal, Tamara Hannon, diretora do Programa Clínico de Diabetes da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, destacou que os jovens com diabetes tipo 2 apresentam evolução mais agressiva da doença e, muitas vezes, não conseguem resultados satisfatórios com os tratamentos tradicionais.
“Os resultados do Surpass-peds mostram que o Mounjaro proporcionou melhorias clínicas no açúcar no sangue, IMC e glicemia sérica de jejum em pacientes pediátricos. Esses resultados oferecem uma oportunidade favorável para mudar a trajetória de saúde a longo prazo em jovens que vivem com essa condição complexa”, afirmou Hannon.
O vice-presidente executivo da Lilly, Kenneth Custer, ressaltou que o aumento da incidência do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes é alarmante e que a pesquisa atende a uma necessidade urgente de novas alternativas terapêuticas.
Efeitos adversos
Entre os eventos adversos mais relatados pelos participantes que receberam tirzepatida (5 mg, 10 mg e doses agrupadas) estão:
- Diarreia (25%, 24% e 25% vs 6% no grupo placebo);
- Náusea (22%, 18% e 20% vs 9% no placebo);
- Vômito (16%, 12% e 14% vs 3% no placebo);
- Dor abdominal superior (6%, 12% e 9% vs 9% no placebo);
- Dor abdominal (16%, 3% e 9% vs 3% no placebo).
De acordo com os pesquisadores, esses efeitos foram classificados como leves a moderados, ocorrendo em sua maioria durante a fase de escalonamento da dose.
Próximos passos
Os resultados do estudo foram submetidos a agências reguladoras internacionais para avaliação. Caso recebam aprovação, o uso da tirzepatida poderá ser estendido para o público pediátrico, ampliando as opções de tratamento disponíveis contra o diabetes tipo 2.
Fonte: Eli Lilly / The Lancet / Associação Europeia para o Estudo do Diabetes / correio*
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