A caatinga, bioma caracterizado pelo clima semiárido, altas temperaturas e escassez de chuvas, tornou-se protagonista da transição energética no Brasil. De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (18) pelo MapBiomas, o bioma abriga 62% das áreas de usinas fotovoltaicas do país, que somam 35,3 mil hectares.
Na Bahia, maior estado em área da caatinga, estão 3.800 hectares ocupados por usinas solares, o segundo maior contingente estadual, atrás apenas de Minas Gerais, que concentra 5,6 mil hectares (26% do total).
O estudo, entretanto, chama atenção para os impactos ambientais. Cerca de 71% das usinas baianas foram implantadas em áreas de vegetação savânica nativa, totalizando 2.753 hectares. Para os pesquisadores, isso indica que o avanço da energia limpa tem ocorrido às custas do desmatamento.
O professor Washington Rocha, coordenador da equipe da caatinga do MapBiomas, destacou que a matriz energética renovável deve respeitar os limites ambientais.
“Há uma porcentagem significativa de usinas que estão em áreas ainda não desmatadas. A transição energética não pode ultrapassar os limites da conservação”, afirmou.
Rocha defende que a instalação de usinas seja priorizada em áreas já degradadas, tanto na caatinga quanto em outros biomas, como o cerrado.
Mudanças no bioma
Segundo o levantamento, a caatinga ocupa atualmente 86,2 milhões de hectares, o equivalente a 10,1% do território nacional. Entre 1985 e 2024, perdeu 9,25 milhões de hectares de áreas naturais, cerca de 14% de sua extensão original.
A vegetação savânica foi a mais atingida, com redução de 15,7% (8,9 milhões de hectares). Hoje, apenas 59% da caatinga (51,3 milhões de hectares) permanece coberta por vegetação nativa.
Na Bahia, 58% da área natural ainda está preservada, colocando o estado em quarto lugar no ranking de conservação, atrás de Piauí (82%), Ceará (68%) e Pernambuco (60%). Já os estados com maior degradação são Sergipe (24%) e Alagoas (27%).
O relatório também mostra que as áreas chamadas antrópicas — voltadas ao uso humano — cresceram 39% em 40 anos, somando 9,2 milhões de hectares. A maior parte foi destinada à agropecuária, principalmente pastagens, que representam 27% da área total do bioma.
Fonte: MapBiomas / Bahia Notícias
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