Brasil iniciará produção nacional de medicamento para esclerose múltipla

Parceria entre Instituto Butantan e farmacêutica Sandoz prevê transferência de tecnologia para fabricação do natalizumabe no país.

Foto: Comunicação CFF.

O Ministério da Saúde anunciou que o Brasil passará a produzir o natalizumabe, medicamento biológico utilizado no tratamento da esclerose múltipla. A iniciativa será viabilizada por meio de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sandoz, com previsão de transferência de tecnologia para a fabricação nacional do fármaco, atualmente fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a pasta, a medida tem como objetivo reduzir a dependência externa e ampliar a segurança no abastecimento do medicamento. O ministério destacou que a experiência da pandemia de covid-19 e os recentes episódios de aplicação de tarifas abusivas às exportações brasileiras reforçam a necessidade de “soberania do SUS” para garantir acesso contínuo a tratamentos essenciais.

Medicamento essencial contra a esclerose múltipla

O natalizumabe é indicado para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente de alta atividade, que representam cerca de 85% dos casos da doença. É destinado a pessoas que não responderam adequadamente a outras terapias e está disponível no SUS desde 2020.

Atualmente, apenas um fabricante possui registro do fármaco no país, o que torna o fornecimento vulnerável a oscilações de preço e possíveis desabastecimentos. Com a produção nacional, especialistas acreditam que será possível reduzir custos logísticos, garantir maior previsibilidade no fornecimento e fortalecer a capacidade técnica e produtiva brasileira no campo dos medicamentos biológicos.

Esclerose múltipla: impacto e desafios

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que atinge principalmente adultos jovens entre 18 e 55 anos, afetando o sistema nervoso central. A condição provoca a desmielinização — perda da camada protetora dos axônios —, comprometendo a transmissão de impulsos elétricos responsáveis por funções motoras e sensoriais. O avanço da doença pode gerar incapacidades progressivas, exigindo acompanhamento médico contínuo e acesso a terapias específicas.

Próximos passos

O Ministério da Saúde ainda não detalhou o cronograma de implantação da produção, nem o volume previsto para distribuição na rede pública. Representantes do Instituto Butantan e da Sandoz devem apresentar, em breve, informações sobre a capacidade instalada e o planejamento da fabricação.

A expectativa é que a PDP reforce a estratégia nacional de fortalecimento da indústria farmacêutica, reduzindo vulnerabilidades e assegurando mais autonomia ao SUS.

Fonte: Ministério da Saúde / CFF

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