O desafio de concluir a educação básica no Brasil está diretamente ligado a fatores como o racismo estrutural e a necessidade de trabalhar para garantir renda, segundo a pesquisa Educação de Jovens e Adultos: Acesso, Conclusão e Impactos sobre Empregabilidade e Renda, divulgada pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Itaú Educação e Trabalho.
De acordo com Diogo Jamra, gerente de Monitoramento, Avaliação, Articulação e Advocacy do Itaú Educação e Trabalho, o país tem hoje 66 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não concluíram a educação básica. Esse grupo é formado, em sua maioria, por pessoas negras e de baixa renda.
Jamra explica que a evasão escolar entre jovens ocorre, principalmente, pela pressão de ingressar precocemente no mercado de trabalho. Além disso, fatores estruturais históricos, como o legado escravocrata, ainda impactam o acesso da população negra às políticas educacionais.
Impactos da EJA
O estudo mostrou que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) pode ser um caminho estratégico para a inclusão social e produtiva. Entre jovens de 19 a 29 anos, concluir a EJA aumenta em 7 pontos percentuais as chances de ter um emprego formal e eleva em média 4,5% a renda mensal. Os impactos são ainda maiores entre os mais jovens (19 a 24 anos), com aumento de até 9,6 p.p. na formalização e 7,5% na renda.
A análise também revelou fatores de risco para a evasão: jovens homens, negros, moradores de áreas rurais, de baixa renda e que trabalham têm maior probabilidade de abandonar a escola. Já no caso dos adultos, a responsabilidade pelo domicílio, a jornada de trabalho extensa e a maternidade podem dificultar a permanência na EJA.
Necessidade de políticas públicas
Para Jamra, é urgente fortalecer políticas públicas voltadas à EJA, com maior investimento e metodologias pedagógicas inovadoras, especialmente adaptadas para populações rurais e trabalhadores.
Segundo o especialista, integrar a EJA à Educação Profissional e Tecnológica (EPT) pode ampliar as oportunidades de formação e de inserção no mercado de trabalho. “Só assim conseguiremos oferecer a milhares de jovens trajetórias de vida com mais dignidade, renda e proteção social”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil / Fundação Roberto Marinho / Itaú Educação e Trabalho
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