Da pipoca ao refrigerante, passando por pães, chocolates e salgadinhos: itens comuns do dia a dia ganharam novas versões ricas em proteínas e hoje ocupam cada vez mais espaço nas prateleiras de lojas de produtos naturais e esportivos. O movimento acompanha uma tendência global em que o nutriente se tornou protagonista da indústria de suplementos e dos planos alimentares de pessoas que buscam saúde, emagrecimento ou ganho de massa muscular.
Nos últimos cinco anos, as buscas pelo termo “proteína” no Google duplicaram e, em duas décadas, triplicaram, segundo dados do Google Trends. O crescimento acompanha fatores como o aumento da prática de atividades físicas, a popularização de medicamentos emagrecedores que demandam reposição proteica e a diversificação da indústria alimentícia. Apenas em 2024, a produção de concentrados de proteínas cresceu 6,2%, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres.
O que dizem os especialistas
Para o nutricionista Gabriel Lôbo, a indústria respondeu a uma demanda antiga, mas o consumo elevado deve ser visto com cautela. “Antes, boa parte das pessoas não atingia a quantidade adequada de proteínas. Hoje, vemos uma oferta maior, mas consumo adequado é diferente de consumo muito alto”, explica.
A nutróloga Suzana Viana reforça que a ingestão deve ser individualizada: “Atletas e pessoas em busca de hipertrofia podem se beneficiar de dietas mais ricas em proteína, mas sedentários ou pacientes renais, por exemplo, não precisam de grandes quantidades”.
Segundo o professor Ederlan de Souza Ferreira, da Universidade Federal da Bahia, a recomendação para a população em geral varia entre 0,6 g e 0,8 g de proteína por quilo de peso. Já atletas podem chegar a 2 g/kg. O consumo exagerado, porém, pode trazer riscos como sobrecarga renal, perda mineral óssea e até maior predisposição ao diabetes tipo 2.
Novos produtos e mercado em expansão
O setor tem apostado em inovações, como águas funcionais com colágeno, whey ou creatina, barrinhas proteicas, chocolates enriquecidos e snacks saudáveis. Além disso, cresce o consumo de proteínas vegetais, motivado por questões de saúde, restrições alimentares e preocupações ambientais. Estimativas apontam aumento de até 30% na procura por esse tipo de produto no Brasil nos últimos anos.
Para especialistas, essas opções industrializadas podem ser práticas, mas não substituem a base alimentar natural. Leguminosas como lentilha, soja e grão-de-bico, além de carnes, ovos e peixes, continuam sendo as principais fontes indicadas.
“O mito de que ‘quanto mais proteína melhor’ deve ser desfeito. O corpo tem limites de absorção e exageros podem causar desequilíbrios. O ideal é adequar quantidade, horário e proporção às necessidades individuais”, alerta a nutricionista Júlia Mascarenhas.
Tendência consolidada
O cenário mostra que a proteína deixou de ser exclusividade de academias e atletas profissionais para se tornar parte da rotina de consumidores comuns. Ainda assim, especialistas recomendam cautela: mais importante do que a quantidade é a qualidade da ingestão, associada a um estilo de vida equilibrado.
Fonte: Google Trends / Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres / Especialistas consultados / correio*
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