Governo registra rombo de R$ 59 bilhões em julho puxado por precatórios e reajustes de servidores

Déficit é o segundo pior da série histórica para o mês; aumento de gastos previdenciários, benefícios sociais e reajuste salarial pressionaram contas públicas.

Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo / arquivo.

As contas do governo central fecharam julho com um déficit primário de R$ 59,1 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. O resultado é o segundo pior da série histórica iniciada em 1997, ficando atrás apenas de julho de 2020, quando o rombo chegou a R$ 87,8 bilhões, em meio ao auge da pandemia.

O desequilíbrio foi impulsionado principalmente pelo pagamento de precatórios, que elevou os gastos com benefícios previdenciários e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). O reajuste linear concedido aos servidores públicos federais, o aumento do salário mínimo e a maior quantidade de beneficiários também contribuíram para pressionar as despesas.

O resultado negativo foi dividido entre o Tesouro Nacional e o Banco Central, que juntos registraram déficit de R$ 16,4 bilhões, e a Previdência Social, responsável por R$ 42,7 bilhões.

Apesar da piora em julho, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destacou que os números indicam uma recuperação gradual. “Os resultados são consistentes. Já com o pagamento de precatórios, o resultado primário deste ano já é melhor do que do ano anterior. É um processo de recuperação gradual”, afirmou.

De janeiro a julho, o déficit primário acumulado chegou a R$ 70,3 bilhões, menor que o registrado no mesmo período de 2024, quando somou R$ 76,2 bilhões. Em 12 meses, o rombo corresponde a R$ 34,1 bilhões, equivalente a 0,3% do PIB.

A alta das despesas em julho foi de 28,3% em relação ao mesmo mês de 2024, o que significou um acréscimo de R$ 57,4 bilhões. Já a receita líquida teve avanço de apenas 3,9% (R$ 7,6 bilhões). Entre as receitas administradas, houve aumento de 5,8%, impulsionado por recolhimentos maiores de pessoas jurídicas, especialmente instituições financeiras.

Para o 3º bimestre de 2025, a projeção do Tesouro é de déficit acumulado de R$ 74,9 bilhões. Deste total, R$ 48,6 bilhões não entram na meta fiscal por se tratarem de despesas extraordinárias, como precatórios e ressarcimentos de segurados do INSS. Em julho, esse gasto específico somou R$ 908,4 milhões, valor inferior ao desembolsado no ano passado para enfrentar os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul.

Ceron adiantou ainda que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, que será apresentado nesta sexta-feira (29), trará previsão de receitas voltadas ao cumprimento das metas fiscais.

Fonte: Tesouro Nacional / Gazeta do Povo

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar