Por muitos anos, a medicina repetiu que a cartilagem não se regenera, limitando-se a protocolos paliativos como infiltrações recorrentes e procedimentos temporários. Essa ideia começa a ser superada com a chegada do CaReS-1S, um implante biológico em hidrogel 3D que estimula a regeneração da cartilagem hialina — presente em articulações como joelho, patela e tornozelo e considerada a mais nobre e funcional do corpo.
Desenvolvida na Áustria, a tecnologia já recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e promete resultados duradouros. Estudos clínicos internacionais indicam que os benefícios podem se manter por mais de quatro anos, com formação de colágeno tipo II, essencial para a função articular, sem deixar cicatrizes.
O procedimento é minimamente invasivo e realizado em aplicação única, sem necessidade de culturas celulares ou múltiplas cirurgias. A recuperação também é rápida: entre quatro e seis semanas, pacientes podem voltar a carregar peso normalmente. As indicações abrangem lesões de até 8 cm², especialmente em estágios iniciais da degeneração da cartilagem.
Apesar do potencial, a inovação ainda não está amplamente disponível no Brasil. Especialistas apontam que o processo de incorporação de novas terapias é lento e burocrático. Mesmo com evidências de que o implante pode ser mais custo-benefício do que tratamentos tradicionais — ao evitar infiltrações frequentes, múltiplas cirurgias e até próteses —, planos de saúde e o sistema público resistem à adoção.
“Seguimos presos a protocolos desatualizados que privilegiam soluções mais baratas no curto prazo, mas que não entregam o mesmo impacto clínico”, apontam médicos da área. Para os pacientes, isso significa permanecer dependente de alternativas temporárias, enquanto uma solução com potencial definitivo já está aprovada e disponível em outros países
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) / Estudos clínicos internacionais / CFF
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