Microeficiências: quando os pequenos truques do dia a dia se transformaram em pressão por produtividade

Especialistas alertam que práticas para economizar tempo podem trazer benefícios, mas também riscos de estresse e sobrecarga mental.

Foto: Freepik.

Organizar a roupa do dia seguinte antes de dormir, preparar o café na véspera ou caminhar na esteira enquanto trabalha. Esses pequenos truques, conhecidos como microeficiências, prometem economizar minutos preciosos e facilitar a rotina.

Para muitas pessoas, elas são uma resposta natural diante de agendas cheias e múltiplas responsabilidades. A engenheira Vanessa Duarte, 47 anos, conta que passou a adotar hábitos como preparar listas de compras organizadas por setor do mercado. “Comecei a ter a sensação de que faltam horas no meu dia”, relata.

No entanto, especialistas alertam para os riscos. O psiquiatra Guilherme Spadini explica que esse comportamento está relacionado à chamada “pobreza de tempo” e pode gerar estresse cognitivo. O excesso de cortisol, hormônio ligado ao estresse, aumenta o risco de insônia, ansiedade e dificuldade de concentração.

A neurocientista Thaís Gameiro acrescenta que a ideia de multitarefa é ilusória. Segundo ela, não realizamos duas atividades ao mesmo tempo, mas alternamos rapidamente o foco, em um processo chamado switch atencional. Isso aumenta a fadiga mental e reduz os momentos de descanso necessários ao cérebro.

O sinal de alerta aparece quando a pessoa sente culpa ao ter tempo livre ou mede sua felicidade apenas pelo desempenho. Para evitar essa armadilha, os especialistas recomendam que as microeficiências sejam usadas com intenção clara e alinhadas a valores pessoais.

Estratégias simples, como planejar refeições da semana, podem ser benéficas ao reduzir a fadiga decisória. O perigo está em ocupar todos os intervalos do dia com atividades. “A verdadeira otimização é simplificar a vida, liberar tempo e energia para o que realmente importa: foco, criatividade e descanso”, conclui Thaís.

Fonte: correio*

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