O Brasil é reconhecido por seu clima tropical e pela abundância de dias ensolarados ao longo do ano. Ainda assim, um estudo da Fiocruz revelou um dado curioso: mais da metade da população adulta saudável do país apresenta deficiência ou insuficiência de vitamina D.
A pesquisa foi realizada entre dezembro de 2020 e março de 2021, com 1.004 doadores de sangue em Salvador, Curitiba e São Paulo. Os resultados mostraram prevalência de 15,3% de deficiência e 50,9% de insuficiência, mesmo em períodos de verão. São Paulo liderou os índices de deficiência (20,5%), seguida por Curitiba (12,7%) e Salvador (12,1%).
De acordo com a endocrinologista Jacqueline Kalil, o problema está ligado ao comportamento da população, que muitas vezes evita a exposição solar necessária para a produção da vitamina. Entre os fatores citados estão o uso constante de protetor solar (inclusive em maquiagens), roupas com proteção UVB, trabalho em ambientes fechados e um estilo de vida corrido que reduz o tempo ao ar livre.
A vitamina D é essencial para a absorção de cálcio e o bom funcionamento de órgãos como intestino, rins, ossos e glândulas. A falta dela pode causar fraqueza muscular, queda de cabelo, unhas fracas, baixa imunidade, alteração de humor, maior risco cardiovascular e problemas cognitivos.
O tratamento recomendado envolve suplementação oral ou injetável sob orientação médica, além de exposição solar controlada em horários menos agressivos para a pele. Os benefícios aparecem em curto prazo, como melhora da imunidade, humor, força muscular e saúde dos cabelos e unhas.
Já no longo prazo, a reposição ajuda a prevenir osteoporose, osteomalacia, raquitismo, doenças autoimunes, cardiovasculares e neurológicas, incluindo o Alzheimer.
A pesquisa, publicada no Journal of the Endocrine Society, é considerada a primeira representativa sobre o tema no Brasil e reforça a necessidade de conscientização sobre a importância da vitamina D para a saúde.
Fonte: Fiocruz / Journal of the Endocrine Society / correio*
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