O Cerrado e a Caatinga, dois dos principais biomas da Bahia, enfrentam crescente ameaça de desertificação. Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgados em 2023, identificaram a primeira microrregião árida do Brasil no norte baiano, abrangendo municípios como Abaré, Chorrochó, Glória, Macururé, Paulo Afonso e Rodelas. A constatação reforça os impactos das queimadas, da exploração ambiental e da escassez hídrica.
Mais recentemente, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) apresentou o Mapa de Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD), com base no índice de aridez de Thornthwaite. O levantamento evidencia que 289 municípios baianos estão em risco.
Segundo Tiago Porto, diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), cerca de 85% do território baiano está no semiárido. Para enfrentar esse desafio, está em vigor até 2029 o Plano Estadual de Convivência com o Semiárido, que reúne mais de 100 ações em áreas como abastecimento de água, regularização fundiária e bancos de dados tecnológicos. Porto ressalta que a região de Itaparica, por sua vulnerabilidade, já recebe investimentos diferenciados.
O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa da Bahia (2020-2022) aponta que o estado foi o 9º maior emissor do país em 2022, com 91,37 MtCO2e. Para o gestor, a reversão do cenário exige mudanças estruturais no modelo econômico e produtivo.
Além da atuação governamental, iniciativas da sociedade civil também ganham espaço. A Fundação Verde – Herbert Daniel, vinculada ao Partido Verde, desenvolve projetos como A Tenda Verde, que promove debates ambientais em municípios baianos. Para o presidente estadual do partido, Ivanilson Gomes, e a coordenadora do projeto, Vânia Almeida, é essencial dar visibilidade às soluções locais criadas por comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas, que são as mais afetadas pela desertificação.
A coordenadora reforça que a justiça climática requer financiamento e união entre poder público, sociedade civil e organizações políticas. “Questão ambiental não é responsabilidade de um único setor, mas de todos. Somente com ações conjuntas será possível reduzir os impactos das mudanças climáticas na Bahia”, defendeu.
Fonte: Bahia Notícias
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