A Bahia vive um momento de expansão na fabricação e no consumo de charutos, produto tradicionalmente associado ao luxo e a um público de maior poder aquisitivo. A mudança, segundo representantes do setor, está relacionada à diversificação do perfil dos consumidores e ao crescimento da produção durante e após a pandemia.
O Recôncavo Baiano, especialmente a região de São Gonçalo dos Campos, é considerado referência mundial na produção e exportação do tabaco Mata Fina, um dos mais apreciados do mundo. De acordo com Carla Almeida, representante da Menendez Amerino & Cia Ltda - Charutos Premium, cerca de 105 países utilizam o tabaco baiano na fabricação de charutos.
Atualmente, o Brasil consome em média 15 milhões de unidades por ano, incluindo charutos artesanais, mecanizados e cigarrilhas. Deste total, aproximadamente 20% correspondem a charutos premium, feitos manualmente. O crescimento foi impulsionado pela pandemia, que ampliou o mercado e atraiu novos públicos.
Entre os novos consumidores estão jovens de maior renda e mulheres, que passaram a se interessar pelo produto não apenas pelo status, mas pela experiência sensorial que ele proporciona. Essa mudança levou fabricantes a diversificar suas linhas, com charutos que podem custar de R$ 40 até R$ 4.000,00 mil, tornando o produto acessível a diferentes perfis de consumo.
Apesar da expansão, especialistas alertam para os riscos à saúde. O pneumologista e diretor da Associação Bahiana de Medicina (ABM), Guilhardo Fontes, explicou que o charuto, assim como outros derivados do tabaco, é prejudicial, podendo causar câncer na boca, laringe, pulmão e até na bexiga. Segundo ele, a substância é absorvida pela mucosa oral e pode estar relacionada a mais de 50 doenças.
Fonte: Bahia Notícias
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