Pernambuco testa novo protocolo para diagnóstico e tratamento descentralizado da doença de Chagas

Projeto-piloto no Sertão do Pajeú busca agilizar diagnósticos e garantir tratamento próximo à residência dos pacientes, com uso de testes rápidos e descentralização da assistência.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Um novo protocolo para o controle da doença de Chagas está sendo testado no Sertão do Pajeú, em Pernambuco, região com alta prevalência da enfermidade. A iniciativa, chamada “Quem tem Chagas, tem pressa”, tem como foco a descentralização do tratamento, permitindo que pacientes sejam atendidos na própria cidade, sem necessidade de deslocamento para centros especializados como a Casa de Chagas, no Recife.

A estratégia aposta no uso de testes rápidos para agilizar o diagnóstico. Na segunda fase do projeto, cerca de mil moradores de Triunfo e Serra Talhada foram testados e 9% tiveram resultado positivo — índice superior à média nacional, que varia de 2% a 5%, segundo o Ministério da Saúde. O resultado é obtido em minutos, reduzindo a espera de até 45 dias exigida pelo exame sorológico convencional.

Com o início da fase de tratamento previsto para setembro, o objetivo é que pacientes com confirmação possam concluir o uso de medicamentos, administrados por 60 dias, sem percorrer grandes distâncias. Para o médico responsável, Wilson Oliveira, essa medida aumentará a adesão e evitará complicações, já que boa parte dos infectados não desenvolve formas graves da doença.

Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas é considerada negligenciada e atinge principalmente populações vulneráveis. Estima-se que menos de 10% dos infectados nas Américas sejam diagnosticados e apenas 1% receba tratamento.

O projeto conta com testes produzidos pela Fiocruz (Biomanguinhos) e parceria institucional da Novartis Brasil, que pretende expandir a iniciativa para outras regiões endêmicas do país caso o protocolo seja validado.

Fonte: Ministério da Saúde / Organização Panamericana da Saúde / Secretaria de Saúde de Pernambuco/agência Brasil


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