Alta de mortes com motos expõe falhas no transporte público e na inclusão de motociclistas no trânsito

Secretário nacional de Trânsito defende habilitação mais acessível e rechaça penalização dos mais pobres como solução para acidentes.

Foto: Carina Leão/Senatran.

O aumento nas mortes por quedas, colisões e atropelamentos envolvendo motocicletas no Brasil acendeu o alerta das autoridades de trânsito. Para o secretário nacional de Trânsito, do Ministério dos Transportes, Adrualdo de Lima Catão, o enfrentamento dessa crise passa pela melhoria do transporte público e pela inclusão de mais motociclistas no Sistema Nacional de Trânsito, com acesso facilitado à Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário criticou propostas que sugerem a cobrança de impostos sobre motocicletas como forma de compensar os gastos públicos com saúde devido aos acidentes. “Penalizar os mais pobres não é o caminho. É preciso garantir segurança por meio de um transporte público de qualidade”, afirmou.

O Brasil vive um crescimento acelerado da frota de motos, que deve ultrapassar 30 milhões de unidades nos próximos meses. Em estados como Maranhão (60%), Piauí (55%), Pará (54%), e Ceará (50%), as motos já representam mais da metade da frota de veículos. Para Catão, a motocicleta se tornou uma solução diante da precariedade do transporte coletivo, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Dados do BNDES reforçam esse cenário: o uso do transporte público nas regiões metropolitanas caiu drasticamente nas últimas décadas. Em Manaus, por exemplo, a participação nas viagens motorizadas caiu de 79,8% (2005) para 20,4% (2024). Em Salvador, o índice caiu de 64,9% para 40,3%, e em São Paulo, de 54,1% para 45,4%.

Catão alerta que, com a melhoria da renda, as pessoas têm buscado alternativas individuais para fugir das falhas do transporte público. A moto, nesse contexto, é vista como uma forma de ampliar a mobilidade e gerar renda, especialmente entre trabalhadores informais e entregadores.

Para reduzir os acidentes e promover maior segurança, o secretário defende uma CNH menos burocrática e mais acessível, como forma de incluir os motociclistas na formalidade, aliada a políticas de educação para o trânsito e investimentos em transporte público.

Fonte: Agência Brasil / Ministério dos Transportes

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