O arroz, o feijão, os ovos e as carnes seguem como base da alimentação no Brasil, mas a alta nos preços tem mudado o que vai — ou deixa de ir — para o carrinho de compras. Uma pesquisa recente da Reds Research, chamada “Ouro na Prateleira”, realizada entre os meses de maio e junho, mostra que os consumidores estão focando no essencial e eliminando da rotina produtos industrializados e considerados supérfluos.
Segundo o estudo, itens como açúcar, laticínios, óleos e sucos prontos estão entre os mais deixados de lado. Mas não apenas por motivos econômicos. Para 62% dos entrevistados, a busca por uma alimentação mais saudável também influencia a decisão de cortar alimentos ultraprocessados.
“A população tem priorizado o básico. Além das dificuldades financeiras, há uma crescente conscientização sobre saúde alimentar”, destaca Karina Milaré, CEO da Reds Research e responsável pelo estudo. Ela observa que a inflação tem provocado uma reação em cadeia nos hábitos de consumo dos brasileiros.
Estratégias para economizar
Além de cortar produtos, os brasileiros estão mudando onde e como compram:
- 53% passaram a comprar em atacadões, onde os preços são mais baixos para quem compra em maior quantidade.
- 70% optam por marcas próprias ou genéricas em vez de marcas tradicionais.
- 64% reduziram gastos com lazer, roupas e restaurantes.
- 40% buscaram uma renda extra para lidar com o aumento dos custos.
Preço x qualidade: desafio na substituição de alimentos
Para Selma Magnavita, presidente da Associação das Donas de Casa do Estado da Bahia (ADCB), a substituição de alimentos é uma prática comum, mas requer atenção. “É importante verificar se o alimento mais barato realmente cumpre a função nutricional do que foi substituído”, alerta. O risco é que a economia venha acompanhada de perda na qualidade alimentar.
Café e chocolate resistem no carrinho
Apesar da contenção de gastos, alguns produtos continuam sendo priorizados por parte da população. O levantamento aponta que:
- 33% dos entrevistados pretendem consumir mais chocolate, mesmo com 31% considerando o item caro.
- 44% querem aumentar o consumo de café, especialmente entre as classes mais baixas, onde esse índice chega a 56%.
Esses dados revelam que, mesmo diante de um cenário de pressão econômica e mudança de comportamento, alguns prazeres e hábitos tradicionais da alimentação brasileira ainda resistem à inflação.
Fonte: Pesquisa Reds Research/correio*
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