A febre oropouche, antes considerada uma doença restrita à Região Amazônica, tem avançado rapidamente por diversas partes do Brasil e preocupa autoridades de saúde. Até julho de 2025, foram confirmados 11.805 casos em 18 estados e no Distrito Federal, com cinco mortes registradas — quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo, segundo reportagem da Agência Brasil.
O Espírito Santo, distante quase 3 mil quilômetros da região de origem do vírus, tornou-se o estado com o maior número de casos: 6.318 notificações apenas neste ano. Especialistas tentam entender os fatores que contribuíram para essa rápida disseminação da doença, em uma população que não possui imunidade prévia.
A febre oropouche é causada por um arbovírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, encontrado em todas as regiões do país. Os sintomas incluem febre, dor muscular, dor nas articulações e dor de cabeça, semelhantes aos da dengue e chikungunya. Em casos mais graves, especialmente em gestantes, a infecção pode causar microcefalia, malformações fetais ou até óbito do feto.
De acordo com o pesquisador Felipe Naveca, chefe do Laboratório de Arbovírus do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma nova linhagem do vírus originada no Amazonas foi responsável pelo surto atual. O vírus se espalhou principalmente em regiões com desmatamento recente, no sul do Amazonas e norte de Rondônia, e seguiu para outras partes do país por meio de pessoas já infectadas, mas ainda assintomáticas.
Segundo Naveca, eventos climáticos extremos e mudanças ambientais, como as variações provocadas pelo El Niño, influenciaram diretamente na reprodução do vetor e na expansão da doença. Um estudo internacional, também citado pela Agência Brasil, mostrou que fatores climáticos foram responsáveis por 60% da disseminação do vírus na América do Sul.
O Ministério da Saúde intensificou o monitoramento epidemiológico, promoveu reuniões técnicas com os estados e, em parceria com a Fiocruz e a Embrapa, iniciou testes com inseticidas para conter a proliferação do mosquito Culicoides paraensis. As orientações preventivas incluem uso de roupas compridas, telas de proteção, sapatos fechados e eliminação de matéria orgânica em decomposição, especialmente em áreas rurais e de plantio.
No Espírito Santo, o subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, explicou que os municípios possuem muitas áreas periurbanas e zonas de cultivo, o que favorece a reprodução do mosquito. Ele também apontou a colheita do café, que atrai trabalhadores de outras regiões, como um fator que pode ter acelerado a propagação do vírus entre cidades.
Já no Ceará, que registrou 674 casos em 2025, o secretário executivo de Vigilância em Saúde, Antonio Lima Neto, destacou a transição da doença de áreas rurais para cidades maiores, como Baturité, que concentra maior densidade populacional. O estado investe em treinamento clínico, vigilância laboratorial e ações específicas para gestantes, grupo mais vulnerável às complicações da doença.
Em 2024, foram registrados 13.856 casos da febre oropouche no Brasil, com quatro mortes. A expectativa, segundo dados atuais, é que 2025 ultrapasse essa marca, tanto em número de infectados quanto em óbitos, o que reforça a urgência de estratégias coordenadas de enfrentamento à doença.
Fonte: Ministério da Saúde/agência Brasil
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