Ministério da Saúde confirma nove casos de sarampo em Tocantins

Com nove casos confirmados e dois em investigação, Ministério da Saúde atua em Campos Lindos (TO) com bloqueio vacinal e varredura para conter surto de sarampo em comunidade com baixa adesão à imunização.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O Ministério da Saúde confirmou nove casos de sarampo no município de Campos Lindos, no Tocantins, cidade com cerca de 8,7 mil habitantes, localizada a 500 km da capital, Palmas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (26) pela própria pasta, que também apura outros dois casos suspeitos. Todos os infectados residem em uma comunidade de aproximadamente 400 pessoas que, segundo o ministério, “por questões culturais não têm o hábito de se vacinarem”.

A infecção foi confirmada por meio de exames laboratoriais feitos no laboratório de referência do estado do Tocantins e reconfirmados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Alguns dos contaminados possuem histórico de viagem recente à Bolívia, país vizinho que enfrenta atualmente um surto da doença.

Diante da situação, desde a última segunda-feira (21), técnicos do Ministério da Saúde estão no município coordenando ações de bloqueio vacinal e varredura domiciliar para conter a propagação do vírus. Até o momento, 660 pessoas estão sendo acompanhadas, com mais de 280 casas visitadas e 644 doses da vacina aplicadas na região.

"Com os esforços contínuos do Ministério da Saúde e da secretaria estadual e municipal, é possível que, mesmo com o surgimento de novos casos, a disseminação seja controlada e a circulação do vírus interrompida", declarou a pasta.

Com os novos registros, o Brasil soma 14 casos de sarampo confirmados em 2025, segundo o Ministério da Saúde. Os demais ocorreram nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Distrito Federal.

Situação nas Américas

A situação preocupa também em nível continental. A Região das Américas já contabiliza 7.132 casos de sarampo neste ano. Os números incluem 34 casos na Argentina, 34 em Belize, 60 na Bolívia, 1 na Costa Rica, 1.227 nos Estados Unidos, 2.597 no México, 4 no Peru e 5 no Brasil até o último boletim — número este que foi atualizado com os novos casos de Tocantins. Treze pessoas morreram em decorrência da doença: nove no México, três nos Estados Unidos e uma no Canadá.

Certificação mantida

Apesar do surto localizado, o Brasil mantém o status de país livre do sarampo, certificação concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Segundo o Ministério da Saúde, como os casos são considerados importados e não configuram transmissão sustentada no território nacional, a certificação não foi comprometida.

Para evitar novas ocorrências, o governo federal tem reforçado as ações de bloqueio vacinal, especialmente em regiões de fronteira com a Bolívia e em áreas com cobertura vacinal insuficiente.

Campanhas de vacinação

Em paralelo às ações emergenciais, o Ministério da Saúde vem promovendo campanhas de imunização em todo o país. No Acre, o "Dia D" realizado na semana passada resultou na aplicação de quase 5 mil doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Neste sábado (26), os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia realizarão o Dia D em suas regiões.

A vacina tríplice viral está no calendário básico infantil do Sistema Único de Saúde (SUS), com duas doses previstas: aos 12 e aos 15 meses de idade. No entanto, pessoas de até 59 anos que não tiverem comprovante vacinal devem se imunizar. O esquema é de duas doses para pessoas de até 29 anos e uma dose para adultos entre 30 e 59 anos.

Cobertura vacinal

A cobertura ideal de vacinação contra o sarampo é de 95%. Em 2025, o Brasil alcançou 91,74% na aplicação da primeira dose em crianças, mas apenas 72,74% completaram o esquema vacinal. No Tocantins, os números estão abaixo da média nacional: 86% para a primeira dose e 55% para a segunda.

Sobre a doença

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas não imunizadas com quem tiver contato. Os principais sintomas incluem febre alta, mal-estar, tosse, coriza e manchas vermelhas pelo corpo. A doença pode evoluir para complicações graves, principalmente em crianças pequenas, podendo deixar sequelas permanentes ou levar à morte.

Fonte: Ministério da Saúde/agência Brasil


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