Profissionais que atuam em bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas já podem se inscrever no curso de extensão Circuitos Não é Não, uma iniciativa gratuita do governo federal em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). A capacitação visa prevenir a violência contra a mulher nesses espaços, tornando-os mais seguros e acolhedores.
O curso atende às exigências da Lei Federal nº 14.786/2023, que determina que pelo menos um funcionário de estabelecimentos com venda de bebidas alcoólicas esteja capacitado de acordo com o Protocolo “Não é Não”. O conteúdo foi desenvolvido com base em situações reais enfrentadas por mulheres em ambientes de lazer, como festas e bares, e oferece formação sobre como identificar, prevenir e agir em casos de assédio e violência, além de orientar sobre acolhimento e encaminhamento adequado às vítimas.
Totalmente online e assíncrono, o curso tem duração flexível, podendo ser concluído entre uma semana e três meses. Com sete módulos em formato acessível e dinâmico, os participantes não precisam de escolaridade mínima para se inscrever e recebem certificação de 36 horas pela Escola de Extensão da UnB.
A coordenação é da antropóloga e professora da Faculdade de Direito da UnB, Debora Diniz. Segundo ela, a proposta é “sensibilizar pessoas trabalhadoras desses espaços para que se tornem agentes de transformação e estejam preparados para prevenir situações de violência”. Diniz destaca ainda que os profissionais capacitados devem ser multiplicadores de uma cultura de respeito e segurança para todas as pessoas.
O projeto foi lançado em maio na UnB, com a presença da Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, da reitora Rozana Naves e representantes de entidades parceiras, como o Pacto Global – Rede Brasil, Anis – Instituto de Bioética e Fòs Feminista.
Os interessados podem se inscrever diretamente pelo site do Circuitos Não é Não
A iniciativa é especialmente relevante diante dos altos índices de violência. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a Bahia registrou 5.323 casos de estupro e estupro de vulnerável em 2023. No Brasil, foram 87.545 casos no mesmo período. “O Brasil ainda é infelizmente um país inseguro para as mulheres. Espaços que deveriam ser de lazer e relaxamento, muitas vezes se tornam ambientes de violência e risco para mulheres”, reforça Debora Diniz.
Fonte: Circuitos Não é Não / Universidade de Brasília.
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