Foi julgado nesta quinta-feira (18), no Fórum Juiz Almir Edson Lélis Lima, na Comarca de Guanambi, Marco Aurélio da Silva, autor do crime bárbaro que chocou a cidade e o país: o assassinato cruel de Alcione Malheiros Teixeira Ribeiro, de 42 anos, e sua filha Ana Júlia Teixeira Fernandes, de apenas 16 anos.
O júri popular, que teve início às 9h e só foi encerrado por volta das 19h, foi presidido pela juíza titular da 1ª Vara Criminal, Dra. Cecília Angélica de Azevedo Frota Dias. Atuaram ainda o promotor de Justiça designado de Salvador, Dr. Ariomar Figueiredo, o Defensor Público Estadual Dr. Pedro Rodolfo Castagna, além dos advogados assistentes de acusação Dr. Guilherme Cruz e Dr. Troiano Lélis.
Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia do Ministério Público e condenou Marco Aurélio da Silva por dois homicídios qualificados (motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas – Art. 121, § 2º, II, III e IV do Código Penal), ocultação de cadáver (Art. 211), contra ambas as vítimas, e a mais, estupro (Art. 213) contra Alcione.
A pena total: 68 anos e 8 meses de reclusão, além de 40 dias-multa, com valor fixado em 1/30 do salário mínimo por dia. A sentença representa a resposta firme e justa da Justiça baiana a um dos crimes mais cruéis já registrados na região.
O crime ocorreu em 12 de dezembro de 2021 e, desde então, familiares e sociedade clamavam por justiça. Foram três anos, sete meses e 12 dias de dor, luta e resistência até a condenação do réu. Durante todo o julgamento, o plenário permaneceu lotado. A tensão era evidente, e medidas rigorosas de segurança foram adotadas: reforço da Polícia Militar, isolamento da avenida do Fórum pela SMTrans e proibição de fotos, gravações ou vídeos durante a sessão.
A defesa tentou convencer os jurados a excluir as qualificadoras e a desclassificar os crimes de ocultação de cadáver. Não conseguiu. A tese foi totalmente rechaçada. O Ministério Público sustentou a íntegra da denúncia — e venceu.
Encerrado o júri, Marco Aurélio foi imediatamente transferido para o Conjunto Penal de Brumado, onde cumprirá sua pena.
Justiça feita, voz de quem lutou
Quésia Malheiros, irmã de Alcione e tia de Ana Júlia, fundadora do movimento Do Luto à Luta, emocionou a todos com seu desabafo:
“Foi um júri tranquilo, mas carregado de expectativas. Era visível a esperança por justiça. A juíza foi extremamente clara e justa. E eu preciso dizer: Guanambi tem justiça! A nossa luta não vai parar aqui. Esse movimento que nasceu da dor foi abraçado por uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Lutamos para que esse júri acontecesse e a justiça fosse feita. Quero agradecer a minha família, a você, Neide Lu, minha companheira, às mulheres do Conselho, à juíza, e aos doutores Troiano e Guilherme — que foram imprescindíveis no ajuntamento dos laudos para essa condenação tão rápida. Também ao promotor, que foi fundamental. Não posso dizer que estou feliz. A dor não passa. Mas o fardo ficou mais leve. É a sensação de justiça, de dever cumprido. Nós, mulheres, somos merecedoras dessa vitória. Mulheres não podem morrer. A vida é sagrada. Só Deus pode tirá-la — não o homem.”
Rede que não deixou a justiça parar
Quésia agradeceu ainda a toda a rede que apoiou a causa desde o início, em especial:
- Deputada Ivana Bastos
- Vereadora e Procuradora da Mulher Míria Paes
- Vereadoras Maria Silvia Lilia e Eponina Gomes
- Vereador Paulo Costa e demais parlamentares
- Ten. Jacimara, da Ronda Maria da Penha
- Aline Ladeia, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher – OAB Guanambi
- Ministério Público
- Delegacia de Polícia Civil
- Defensoria Pública
- 17º BPM da Polícia Militar
- CICOM 190
- Conselho Tutelar
- Secretarias Municipais de Assistência Social, Educação e Saúde
- IML
- Justiça Criminal
- Hospital Geral, UPA 24h
- Instituições de ensino (Uneb, UniFG, Unopar, escolas particulares)
- Igrejas
Todos foram fundamentais para que, depois de anos de luta, a justiça acontecesse em sua forma mais firme, clara e implacável.
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