A produção brasileira de soja pode cair até 55% sem proteção contra pragas, doenças e plantas daninhas, segundo estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em parceria com a CropLife Brasil. A pesquisa também aponta possíveis prejuízos econômicos, redução das exportações e aumento nos preços dos alimentos.
As simulações indicam uma produtividade de 72 sacas por hectare com controle fitossanitário adequado, contra 32 sacas sem manejo. Para compensar as perdas, seria necessário ampliar a área plantada em 33,5 milhões de hectares. O prejuízo estimado chegaria a R$ 223,5 bilhões, enquanto as exportações poderiam perder US$ 17,6 bilhões por safra.
A redução da oferta também poderia elevar o preço da soja em até 49%, com reflexos sobre alimentos como óleo, leite, ovos e carnes.
Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o consumo de agrotóxicos no Brasil aumentou de 180 mil toneladas, em 2003, para 800 mil toneladas, em 2023. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram 76% do consumo nacional.
Os pesquisadores alertam que os defensivos químicos podem causar danos à saúde humana, contaminar o solo e a água e afetar organismos importantes para a biodiversidade. O uso de organismos geneticamente modificados também pode reduzir ou ampliar a necessidade de herbicidas, dependendo das características das culturas e das práticas agrícolas.
Entre 2005 e 2019, foram registrados 3.151 novos agrotóxicos no país, dos quais 20% eram considerados de baixa toxicidade, segundo o Ipea. Em 2024, foram autorizados 663 produtos, ante 555 no ano anterior.
Dados do Ministério da Saúde divulgados pela ONG Repórter Brasil apontam 73.391 casos de intoxicação por agrotóxicos entre 2015 e 2025, sendo 9.729 apenas no último ano do período.
O estudo destaca a importância do manejo fitossanitário para preservar a produtividade da soja e reduzir prejuízos econômicos. Ao mesmo tempo, os dados reforçam a necessidade de conciliar a proteção das lavouras com a segurança alimentar, a saúde pública e a preservação ambiental, por meio da combinação de métodos de controle e do uso responsável de defensivos.
Fontes: Universidade Federal de Viçosa (UFV), CropLife Brasil, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Embrapa e Ministério da Saúde / agência Brasil
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