Obesidade cresce 54,5% em dez anos e atinge 31,8% dos adultos acompanhados na Bahia

Estado ocupa a terceira posição no país em número de adultos com excesso de peso; especialistas alertam para riscos à saúde e dificuldades de acesso ao tratamento.

Foto: Internet.

A proporção de adultos com obesidade acompanhados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, aumentou 54,5% na Bahia em dez anos. O índice passou de 20,63% em 2016 para 31,88% em 2026, conforme dados atualizados até 29 de outubro.

O estado também ocupa a terceira posição no país em número de adultos com excesso de peso. Neste ano, aproximadamente 1,56 milhão de pessoas acompanhadas pelo sistema apresentavam essa condição, equivalente a 67,7% do total. Desse grupo, 827,5 mil tinham sobrepeso e 735,3 mil, obesidade.

Em 2016, o percentual de adultos com excesso de peso era de 54,1%. A proporção subiu para 62,1% em 2022 e chegou ao patamar atual.

O avanço da doença preocupa especialistas porque está associado a cerca de 200 outras condições de saúde, além de envolver estigmas que prejudicam a saúde mental e podem afastar pacientes dos serviços de atendimento.

Na Bahia, o Centro de Diabetes e Endocrinologia (Cedeba), referência estadual no tratamento de casos mais complexos, realiza cerca de oito mil consultas mensais. Obesidade e diabetes, juntas, representam quase metade dos atendimentos.

O crescimento da obesidade é uma tendência mundial e envolve fatores genéticos, ambientais e alimentares. Especialistas apontam mudanças nos hábitos de consumo, maior presença de alimentos ultraprocessados e dificuldades de acesso a uma alimentação de qualidade como elementos que contribuem para o problema.

Outro desafio é ampliar a estrutura de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com profissionais capacitados e acompanhamento multidisciplinar. A atenção primária tem papel importante na identificação e no tratamento dos pacientes, permitindo que apenas os casos mais complexos sejam encaminhados a unidades especializadas.

Além dos fatores clínicos, o preconceito relacionado ao peso pode provocar constrangimento, isolamento e sofrimento psicológico. Relatos de pacientes mostram que pessoas com obesidade frequentemente enfrentam julgamentos e têm outros problemas de saúde atribuídos automaticamente ao excesso de peso.

Especialistas defendem que o atendimento seja realizado sem discriminação, considerando as necessidades individuais e a saúde integral de cada paciente.

O aumento dos casos de obesidade na Bahia reforça a necessidade de políticas públicas de prevenção, alimentação saudável e ampliação do acesso ao tratamento, com acolhimento e combate ao preconceito.

Fontes: Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan/Ministério da Saúde); Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba); Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso)

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