Estudo revela impacto grave do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em idosos com pneumonia no Brasil

Estudo aponta alta mortalidade e internações prolongadas por VSR em idosos com comorbidades; Sociedade Brasileira de Infectologia lança campanha para ampliar a conscientização e a vacinação.

Tomaz Silva/Agência Brasil.

Um levantamento nacional conduzido por infectologistas, epidemiologistas e pneumologistas de diferentes regiões do Brasil revelou dados preocupantes sobre os impactos do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em pessoas com 60 anos ou mais, hospitalizadas por pneumonia nos sistemas de saúde público e privado.

O estudo analisou 3.348 pacientes hospitalizados entre 2013 e 2023 e mostrou que doenças cardiovasculares (64,2%), diabetes (32%) e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC – 24,5%) foram as comorbidades mais associadas aos casos graves. A presença dessas doenças crônicas aumentou significativamente o risco de complicações: pacientes com comorbidades apresentaram maiores taxas de admissão em UTI (34,8%), internações mais longas (em média 13,2 dias) e uma taxa de mortalidade elevada (26,9%).

Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o VSR é transmitido de forma semelhante à gripe e à covid-19 — por gotículas expelidas ao tossir ou espirrar, ou ainda por contato com pessoas ou superfícies contaminadas. A entidade alerta para o risco crescente que o vírus representa especialmente entre os idosos, público com menor cobertura vacinal e mais vulnerável a complicações respiratórias.

Diante do cenário de subnotificação de casos em adultos e do desconhecimento geral sobre o VSR, a SBI lançou a campanha “Protegido você vai longe - Depois dos 60 o risco de ter pneumonia por causa do VSR é maior”. A proposta é conscientizar o público sobre os perigos da infecção e a importância da vacinação. A campanha também busca esclarecer as diferenças entre o VSR na infância — onde é mais comum causar bronquiolite — e seus efeitos potencialmente graves em idosos.

“A ideia é interligar a longevidade com a importância da vacinação e esclarecer que muitos dos sintomas podem não ser apenas de gripe, mas sim do VSR, um vírus com grande potencial para provocar pneumonia”, destacou a SBI em nota divulgada à imprensa.

O infectologista Clovis Arns da Cunha, da SBI, alerta que a falta de testagem para VSR em hospitais públicos no momento da internação de idosos com comorbidades pode contribuir para diagnósticos incorretos e tratamentos inadequados. “Muitos casos acabam sendo tratados como gripe ou pneumonia comum, sem o diagnóstico preciso”, afirmou.

Ainda segundo Clovis, a circulação intensa do vírus entre crianças em 2025, que levou ao aumento das internações por bronquiolite nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste, Sul e Nordeste, também indica alto risco para idosos: “Se o VSR está circulando fortemente entre as crianças, está atingindo igualmente os avós — ou seja, pessoas com mais de 60 anos”, destacou.

Dados do Boletim InfoGripe da Fiocruz confirmam o avanço da infecção. No primeiro semestre de 2025, o VSR foi responsável por 45% dos casos positivos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), totalizando 18.654 diagnósticos — número bem acima dos registrados por outros vírus, como o Rinovírus (22,8%) e o Influenza A (22,7%).

A consultora da SBI, Rosana Richtmann, reforça a necessidade de ampliar a imunização contra o VSR, especialmente entre a população idosa:

“Desde o início do ano, observamos uma tendência de alta nos casos de VSR, que pode evoluir para quadros graves de pneumonia. Assim como destacamos a importância da vacina da gripe para o público 60+, é fundamental incluir também a vacina contra o VSR no calendário dessa faixa etária”, concluiu.

A campanha e os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à vigilância, diagnóstico e vacinação contra o VSR, especialmente diante do envelhecimento da população brasileira e da alta prevalência de doenças crônicas entre os idosos.

Fonte: Agência Brasil

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