Projeto de lei amplia reserva de vagas para pessoas com deficiência em instituições federais de ensino

Nova medida garante maior inclusão ao reservar mais vagas para pessoas com deficiência em instituições federais de ensino superior e técnico.

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados.

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia a reserva de vagas para pessoas com deficiência (PcDs) em universidades federais e em instituições federais de ensino técnico de nível médio. A proposta representa um avanço na inclusão educacional e na promoção da equidade de acesso ao ensino público no Brasil.

O projeto altera a atual Lei de Cotas, que já reserva no mínimo 50% das vagas para estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas ou comunitárias. Dentro desse percentual, já existe uma subdivisão proporcional para pessoas autodeclaradas pretas, pardas, indígenas, quilombolas e também para pessoas com deficiência — com base na composição populacional de cada estado, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, a nova proposta traz um avanço importante: cria uma nova cota exclusiva para pessoas com deficiência, que será aplicada sobre o total de vagas da ampla concorrência, independentemente da origem escolar (pública ou privada) ou do critério de renda.

Segundo o relator do projeto, deputado Sargento Portugal (Pode-RJ), “um número expressivo de pessoas com deficiência, embora não se enquadrem nos critérios de baixa renda ou de origem na rede pública de ensino, enfrentam barreiras específicas e estruturais que comprometem seu pleno acesso ao ensino superior e técnico”.

Ele defendeu que essas pessoas não devem ser excluídas das políticas afirmativas por não atenderem a critérios socioeconômicos. “Mesmo tendo frequentado a rede privada, a maioria dessas pessoas não pode ser considerada privilegiada. Elas ainda enfrentam inúmeros obstáculos para ingressar e permanecer no ambiente acadêmico”, afirmou.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator ao Projeto de Lei 581/24, de autoria da deputada Renata Abreu (Pode-SP), que tramitava juntamente com os PLs 2.235/24 e 463/25, todos reunidos em uma única proposta.

A nova reserva de vagas será calculada com base na proporção de pessoas com deficiência na população do estado onde se localiza a instituição de ensino, de acordo com os dados mais recentes do IBGE. Isso permitirá uma aplicação mais justa e regionalizada da política.

A proposta segue agora para análise, em caráter conclusivo, pelas Comissões de Educação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, seguirá para o Senado Federal.

Fonte: Congresso em Foco

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