A UNEB, Campus XII, em Guanambi, realiza nos dias 9, 10 e 11 de novembro a 3ª Jornada de Educação Física Inclusiva e o Seminário de Modalidades Paralímpicas. A programação contará com palestras, atividades práticas e vivências esportivas, em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Em entrevista ao programa Fala Você Notícias, os professores Kayala Oliveira e Sebastião Carlos, conhecido como professor Tião, convidaram estudantes, profissionais, pessoas com deficiência, familiares e toda a comunidade para participar da iniciativa.
Universidade, esporte e inclusão
Durante a entrevista, os professores ressaltaram o papel social da universidade na transformação da sociedade e na ampliação das oportunidades para pessoas com deficiência.
A professora Kayala Oliveira explicou que a Jornada é uma iniciativa da UNEB, por meio do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro. A proposta é aproximar a comunidade do universo do esporte adaptado e paralímpico, oferecendo formação, conhecimento e experiências práticas.
O evento contará com a participação de profissionais ligados ao Comitê Paralímpico Brasileiro, entre eles Davi Farias, coordenador da Educação Paralímpica, além de outros especialistas convidados. Também participará o professor Rafael, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), referência em pesquisas sobre esporte paralímpico.
Modalidades paralímpicas e vivências práticas
Entre as modalidades que serão trabalhadas durante a programação estão bocha, atletismo e lutas. Os participantes terão acesso a conteúdos teóricos e experiências práticas para conhecer melhor os esportes adaptados e suas possibilidades.
Os professores explicaram que muitas modalidades paralímpicas são adaptações de esportes convencionais, como natação, atletismo e judô. Também existem modalidades desenvolvidas especificamente para pessoas com determinados tipos de deficiência, como o goalball, destinado a pessoas com deficiência visual.
Em Guanambi, a UNEB desenvolve um projeto de extensão com atividades aquáticas e natação adaptada, aberto gratuitamente a pessoas com diferentes tipos de deficiência. Já em Caetité, o professor Tião destacou a prática do goalball, que reúne pessoas com deficiência visual.
Inclusão precisa sair do discurso e chegar à prática
Um dos pontos de destaque da conversa foi a necessidade de ampliar a participação das pessoas com deficiência nos espaços públicos, nas escolas, nas universidades e nas atividades esportivas.
O professor Sebastião Carlos chamou atenção para a falta de oportunidades de inserção social e defendeu que a inclusão precisa fazer parte da formação de todos os profissionais, não apenas daqueles que atuam diretamente com Educação Física inclusiva.
Ele também destacou o combate ao capacitismo, que consiste em atitudes preconceituosas ou discriminatórias contra pessoas com deficiência.
A professora Kayala explicou que o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UNEB trabalha não apenas para garantir o acesso dos estudantes com deficiência à universidade, mas também para assegurar sua permanência. Entre as ações está a monitoria apoiadora, com acompanhamento acadêmico e adaptações de acordo com as necessidades individuais dos estudantes.
Guanambi pode avançar na estrutura do esporte paralímpico
Durante a entrevista, o professor Tião também falou sobre o sonho de implantação de um centro de treinamento esportivo voltado às pessoas com deficiência em Guanambi.
Segundo ele, a proposta vem sendo discutida desde 2020 e poderia transformar a cidade em referência regional na formação de atletas paralímpicos. O projeto depende de articulação institucional, estrutura, equipamentos e recursos para funcionar.
Os professores também defenderam maior participação do poder público e da iniciativa privada no financiamento de projetos e eventos voltados à inclusão esportiva.
Programação da 3ª Jornada
A programação será distribuída em três dias:
- 9 de novembro: palestras sobre orientações e atendimento às pessoas com deficiência, incluindo abordagem sobre o atendimento a pessoas com autismo na Educação Física escolar.
- 10 de novembro: atividades teóricas pela manhã e vivências práticas à tarde, com modalidades paralímpicas.
- 11 de novembro: continuidade das atividades teóricas e práticas, além de apresentação de trabalhos no formato de pôsteres.
As inscrições são gratuitas e estão abertas a estudantes, professores, profissionais, pessoas com deficiência, familiares e demais interessados. Conforme explicado pelos organizadores, há inscrições específicas para o dia 9 e para as atividades dos dias 10 e 11. É necessário realizar previamente um curso on-line de modalidades paralímpicas disponibilizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.
Os interessados devem consultar os links e as orientações publicados no Instagram do NAI do Campus XII da UNEB.
Organizadores pedem apoio da comunidade
Além de convidar a população a participar, os professores fizeram um pedido de colaboração. A organização precisa de, pelo menos, seis cadeiras de rodas emprestadas para as atividades práticas dos três dias e também busca novos patrocinadores para ajudar com despesas de transporte, alimentação, camisetas e materiais.
Durante a entrevista, os convidados agradeceram aos parceiros que já confirmaram apoio à realização do evento.
A mensagem dos professores é que o esporte deve ser um direito acessível a todos. Mais do que formar atletas, a prática esportiva pode contribuir para a autoestima, a autonomia, a convivência e o exercício da cidadania das pessoas com deficiência.
ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA
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