Sinal de Frank: dobra na orelha pode ser um alerta para a saúde do coração

Cardiologista Michele Carvalho explica o que significa a marca diagonal no lóbulo da orelha e reforça a importância da prevenção contra doenças cardiovasculares.

Dra. Michele Carvalho, cardiologista.

Você já reparou se tem uma dobra diagonal no lóbulo da sua orelha? Conhecida como Sinal de Frank, essa característica pode estar associada a um risco maior de doenças cardiovasculares, como aterosclerose, infarto e AVC. Em entrevista ao Fala Você Notícias, nesta terça (06), a cardiologista, professora e preceptora de Cardiologia da Afya Vitória da Conquista, Michele Carvalho, explicou o que a ciência sabe sobre esse sinal e alertou para a importância da avaliação cardiológica preventiva.

Uma marca na orelha que chama a atenção

O Sinal de Frank é uma dobra ou prega diagonal que atravessa o lóbulo da orelha. Segundo a cardiologista Michele Carvalho, essa característica foi descrita na década de 1970 e, posteriormente, diversos estudos investigaram sua possível relação com doenças cardiovasculares. “Pessoas que têm essa marca na orelha podem sim ter um aumento do risco de ter doenças do coração.”

A especialista explica, porém, que o sinal não significa que a pessoa necessariamente tenha uma doença cardíaca. Ou seja: encontrar a dobra na própria orelha não é motivo para pânico, mas pode servir como um incentivo para cuidar melhor da saúde cardiovascular.

Ter o Sinal de Frank significa ter problema no coração?

Não. Essa é uma das principais dúvidas esclarecidas durante a entrevista.

Michele Carvalho reforçou que existe uma associação entre o sinal e um risco aumentado de doenças cardiovasculares, mas a presença da marca não determina que uma pessoa terá um infarto, AVC ou outra doença cardíaca.

Da mesma forma, uma pessoa pode não apresentar o Sinal de Frank e ainda assim ter fatores de risco ou desenvolver uma doença cardiovascular. “Ter a marca não significa que você tenha um problema de coração.” Por isso, a orientação é utilizar o sinal como um possível alerta para a prevenção, e não como um diagnóstico.

A partir dos 30 ou 40 anos, atenção redobrada

Segundo a cardiologista, adultos a partir dos 30 ou 40 anos já devem considerar uma avaliação cardiológica preventiva, especialmente para identificar fatores de risco que podem permanecer silenciosos.

Entre eles estão:

- Hipertensão;

- Colesterol elevado;

- Diabetes e pré-diabetes;

- Tabagismo;

- Histórico familiar;

- Sedentarismo;

- Hábitos alimentares inadequados.

A médica compara o organismo a um carro: com o passar dos anos, assim como um veículo precisa de manutenção, o corpo também exige maior atenção.

Dor no peito e falta de ar são sinais de alerta

A entrevista também trouxe um alerta importante sobre sintomas que não devem ser ignorados. Michele Carvalho explica que uma falta de ar desencadeada por esforço, como subir uma escada ou uma ladeira, e que melhora com o repouso, pode ser um sinal de problema cardíaco.

O mesmo vale para determinadas dores no peito, principalmente quando aparecem durante esforço físico ou estresse e podem irradiar para o braço, pescoço ou mandíbula. “Os sintomas de alerta são principalmente a falta de ar e a dor no peito.”

A especialista ressalta que nem toda dor ou falta de ar está necessariamente relacionada ao coração, mas alguns padrões precisam ser avaliados por um profissional.

Doenças cardiovasculares podem ser silenciosas

Um dos principais alertas deixados pela cardiologista é justamente para quem acredita que não precisa procurar um médico porque não apresenta sintomas.

Segundo Michele, hipertensão, alterações do colesterol e diabetes podem evoluir silenciosamente. “Você não sente nada ainda.”

Por isso, esperar o aparecimento de sintomas pode significar perder a oportunidade de identificar e tratar precocemente um problema. A recomendação é realizar avaliações preventivas e conhecer os próprios fatores de risco.

Prevenção começa antes dos sintomas

Para proteger o coração, a cardiologista destaca a importância de controlar pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue, além de manter atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e controle do estresse.

Ela também chama atenção para o consumo excessivo de substâncias estimulantes e recomenda acompanhamento profissional quando há ansiedade, sobrecarga emocional ou burnout. “Pode parecer simples demais, mas essas coisas protegem muito, tanto a nossa mente como o nosso coração.”

Afinal, o que o Sinal de Frank pode revelar?

A resposta da especialista é clara: a dobra diagonal no lóbulo da orelha pode estar associada a uma maior propensão a doenças cardiovasculares e aterosclerose, mas não confirma que a pessoa tenha uma doença. Por isso, quem percebe a característica pode conversar com um cardiologista e fazer uma avaliação individualizada.

Mais importante do que observar a própria orelha é conhecer os fatores de risco e cuidar preventivamente da saúde do coração. “Não esperem surgirem sintomas para procurar o médico. Façam consultas preventivas com regularidade.”

A cardiologista Michele Carvalho explicou no Fala Você Notícias tudo sobre o Sinal de Frank, os principais fatores de risco cardiovascular, os sintomas que merecem atenção e os cuidados para prevenir doenças do coração.

Assista à entrevista completa no YouTube: Neide Lu Fala Você Notícias. Dê o play, inscreva-se no canal e compartilhe essa informação. Afinal, cuidar do coração começa antes do primeiro sintoma.

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