Uma pesquisa internacional revelou uma mudança no perfil do câncer de estômago, com crescimento dos casos entre adultos com menos de 50 anos. Publicado na revista científica Cancer Biology & Medicine, o estudo mostra que, enquanto a incidência diminui entre idosos em diversos países, o número de diagnósticos em pacientes mais jovens vem aumentando, acendendo um alerta para novos fatores de risco e a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção.
Considerado o quinto tipo de câncer mais frequente no mundo, o tumor gástrico registra cerca de 1 milhão de novos casos por ano. Apesar dos avanços nos tratamentos, muitos pacientes ainda recebem o diagnóstico em fases avançadas da doença, o que reduz significativamente as chances de cura.
Os pesquisadores analisaram dados do GLOBOCAN 2022, que reúne informações de 185 países. O levantamento identificou que o Leste Asiático concentrou mais da metade dos casos registrados em 2022, além de quase metade das mortes relacionadas ao câncer de estômago. Também foi observado aumento da incidência em países como Nova Zelândia, África do Sul e em regiões da Europa e das Américas, além de crescimento entre mulheres.
Segundo o oncologista Roberto Pestana, do Hospital Israelita Albert Einstein, pessoas nascidas entre as décadas de 1980 e 1990 apresentam índices da doença superiores aos observados em gerações anteriores. Embora síndromes hereditárias expliquem uma pequena parcela dos casos, a maioria está associada a fatores ambientais, alimentares, metabólicos e comportamentais.
A infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) continua sendo o principal fator de risco conhecido, estando relacionada à maioria dos casos de câncer gástrico não cárdia. Estudos indicam que o tratamento da infecção pode reduzir entre 40% e 50% o risco de desenvolvimento desse tipo de tumor.
Especialistas também associam o aumento dos casos em adultos jovens ao crescimento da obesidade, do refluxo gastroesofágico, das mudanças na alimentação e das alterações no microbioma gástrico. Outros fatores de risco incluem tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, alimentação rica em produtos ultraprocessados, histórico familiar e algumas síndromes genéticas.
Especialistas destacam que a prevenção continua sendo a melhor estratégia contra o câncer de estômago. Além da identificação e tratamento da infecção por H. pylori, recomenda-se manter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool, controlar o peso corporal e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes, favorecendo o diagnóstico precoce e aumentando as chances de sucesso no tratamento.
Fonte: Cancer Biology & Medicine; GLOBOCAN 2022; Hospital Israelita Albert Einstein
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