As pesquisas sobre a Cannabis medicinal seguem em expansão no Brasil, com novas evidências científicas reforçando seu uso em tratamentos específicos e apontando desafios para ampliar a regulamentação e o acesso seguro aos pacientes. O cenário foi apresentado durante o 5º Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, realizado em São Paulo, que reuniu especialistas das áreas de saúde, pesquisa, tecnologia e inovação.
O encontro destacou o crescimento da produção científica envolvendo a Cannabis sativa, com participação de instituições como UFSC, UFRJ, Fiocruz, Faculdade de Medicina do ABC e Faculdade Sírio-Libanês. A nova regulamentação da Anvisa (RDC nº 1015/2026) estabelece prazo até 2031 para que a indústria conclua estudos clínicos e solicite o registro de medicamentos à base de Cannabis.
Os especialistas classificaram as evidências científicas em três grupos. Entre as indicações com comprovação mais robusta estão o tratamento da esclerose múltipla, epilepsias refratárias, náuseas provocadas por quimioterapia, vômitos e dor lombar crônica. Já condições como transtorno do espectro autista, ansiedade, insônia, demências e saúde sexual feminina apresentam resultados promissores, mas ainda dependem de novos estudos clínicos.
Por outro lado, aplicações envolvendo canabinoides como THCV, CBG, CBC e CBDV permanecem com evidências insuficientes, sendo recomendada cautela até que novas pesquisas confirmem sua eficácia e segurança.
O congresso também destacou a expectativa de ampliação do acesso aos produtos à base de Cannabis por meio das farmácias de manipulação, conforme previsto na RDC nº 1015/2026, além da importância do acompanhamento profissional para garantir o uso racional dos medicamentos.
Entre os consensos apresentados pelos especialistas está a recomendação de iniciar os tratamentos com doses baixas e realizar aumentos graduais conforme a resposta clínica do paciente. Também foi reforçado que a composição da formulação e a combinação entre os diferentes canabinoides influenciam diretamente nos resultados terapêuticos.
O novo marco regulatório fortalece o protagonismo do farmacêutico em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a pesquisa e produção até o acompanhamento do paciente e a farmacovigilância, consolidando a Cannabis medicinal como uma área em constante evolução científica no Brasil.
Fonte: Conselho Federal de Farmácia (CFF)
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