Um estudo clínico de fase 3 publicado na revista científica Nature Medicine revelou resultados positivos para a survodutida, medicamento experimental desenvolvido para o tratamento de pessoas com obesidade e doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD). A pesquisa envolveu 216 participantes recrutados nos Estados Unidos e na Espanha e demonstrou melhora significativa nos indicadores hepáticos e na redução de peso corporal.
Durante o ensaio clínico, 146 voluntários receberam injeções semanais de 6 mg de survodutida, enquanto outros 70 participantes receberam placebo. Após 48 semanas de acompanhamento, 84,2% dos pacientes tratados com o medicamento alcançaram uma redução de pelo menos 30% da gordura acumulada no fígado, índice muito superior aos 24,3% observados no grupo controle.
Além dos benefícios hepáticos, os pesquisadores registraram uma perda média de 12,2% do peso corporal entre os participantes que utilizaram a substância, contra apenas 1% entre aqueles que receberam placebo.
A survodutida atua como um agonista duplo dos receptores de glucagon e GLP-1, mecanismo que tem despertado interesse da comunidade científica por seu potencial de atuar simultaneamente no controle do peso e na saúde metabólica do fígado.
Os efeitos adversos mais relatados durante o estudo foram sintomas gastrointestinais, geralmente classificados como leves ou moderados e observados principalmente durante o período inicial de ajuste da dosagem.
Apesar dos resultados considerados animadores, os autores destacam que a pesquisa apresenta limitações, incluindo o período de acompanhamento de 48 semanas e a participação de pacientes concentrados em apenas dois países. Dessa forma, novos estudos serão necessários para avaliar a eficácia e a segurança do tratamento em longo prazo e em populações mais diversas.
Os dados reforçam o potencial da survodutida como uma futura alternativa terapêutica para pacientes com obesidade e doença hepática metabólica, embora o medicamento ainda esteja em fase de avaliação clínica e não possua conclusões definitivas sobre seu uso em larga escala.
Fonte: Nature Medicine (edição de 7 de junho de 2026) e pesquisadores do estudo clínico internacional sobre survodutida / CFF
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