Mesmo com produção recorde de grãos acima de 330 milhões de toneladas, o agronegócio brasileiro enfrenta entraves logísticos que elevam custos e limitam a competitividade, especialmente no escoamento da safra.
O avanço da produção agrícola no Brasil tem sido acompanhado por desafios estruturais fora da porteira. A concentração do transporte no modal rodoviário, aliada à falta de armazenagem e à baixa integração entre diferentes modais, tem encarecido o frete e ampliado perdas operacionais.
Durante o pico da colheita, o custo do transporte em rotas do Centro-Oeste até portos do Sul e Sudeste pode subir entre 20% e 30%, impulsionado pela alta demanda por caminhões, filas em terminais e limitações de infraestrutura. Com isso, parte significativa da renda do produtor é consumida na logística.
A matriz de transporte evidencia o desequilíbrio: cerca de 69% do escoamento depende de rodovias, enquanto ferrovias representam 22% e hidrovias apenas 9%. Esse modelo aumenta a exposição a custos como o diesel e reduz a eficiência, ao contrário de países concorrentes que priorizam modais de maior capacidade.
A armazenagem também é um fator crítico. O Brasil possui capacidade para estocar entre 60% e 70% da produção, o que obriga o escoamento imediato da safra. Esse cenário pressiona os preços do frete e reduz o poder de negociação do produtor, que muitas vezes precisa vender em momentos desfavoráveis.
Nos últimos anos, houve avanços com o crescimento do chamado Arco Norte, que ampliou sua participação no escoamento de grãos, reduzindo distâncias em algumas regiões. Ainda assim, o Porto de Santos segue concentrando grande parte das exportações e da pressão logística.
Apesar de iniciativas pontuais, a expansão de ferrovias e hidrovias ainda ocorre de forma gradual, enquanto a cabotagem enfrenta entraves regulatórios. Por outro lado, o uso de tecnologias logísticas tem gerado ganhos operacionais, com sistemas que aumentam a eficiência e reduzem filas em terminais.
Especialistas apontam que o Brasil precisa avançar simultaneamente em infraestrutura, armazenagem e diversificação da matriz de transporte para sustentar o crescimento do agronegócio. Sem esses investimentos, parte dos ganhos de produtividade continuará sendo perdida no caminho entre o campo e os portos.
Fontes: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) / Instituto do Agronegócio (IA) / Pensar Agro
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